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Crítica

Dry Cleaning

: "Secret Love"

Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Indie Rock

Para quem gosta de: Water From Your Eyes e Bar Italia

Ouça: My Soul / Half Pint e Cruise Ship Designer

8.0
8.0

Dry Cleaning: “Secret Love”

Ano: 2026

Selo: 4AD

Gênero: Indie Rock

Para quem gosta de: Water From Your Eyes e Bar Italia

Ouça: My Soul / Half Pint e Cruise Ship Designer

/ Por: Cleber Facchi 14/01/2026

Mesmo que traços dos antigos trabalhos do Dry Cleaning sejam percebidos em Secret Love (2025, 4AD), como o canto declamado de Florence Shaw e a atmosfera urbana das canções, o caminho percorrido pelo quarteto inglês é outro. Enquanto a voz monocórdica de Shaw funciona como um eixo central do registro, garantindo consistência à obra, seus companheiros de banda passeiam com maior liberdade pelo material.

Parte dessa sensação vem do próprio processo de criação do trabalho. Com sessões gravadas no The Loft, lendário estúdio do Wilco, em Chicago, e registros no Sonic Studios, do Gilla Band, em Dublin, o disco ainda foi finalizado no Black Box Studios, no Vale do Loire, França, sempre sob a tutela da produtora Cate Le Bon. O resultado está na entrega de uma obra exploratória, mas que preserva a identidade criativa do quarteto.

São canções que tratam sobre figuras peculiares, como o designer de cruzeiros elitista, um hipocondríaco viciado em comida e observadores apáticos da violência, expondo contradições morais com o humor ácido de Shaw. A própria composição de abertura, Hit My Head All Day, com fragmentos absurdos sobre a perda de autonomia na vida contemporânea, sintetiza parte dos elementos incorporados no decorrer do trabalho.

Entretanto, isso está longe de parecer uma novidade para quem há tempos acompanha o trabalho do Dry Cleaning. Desde a estreia com New Long Leg (2021), que o grupo tem se aventurado na entrega de canções pouco usuais, sempre centrados em temas e personagens curiosos. A diferença está na rica musicalidade e esforço de Lewis Maynard, Tom Dowse e Nick Buxton em ampliar significativamente os próprios horizontes.

Em My Soul / Half Pint, por exemplo, são acréscimos de pianos que lembram Waiting For The Man do The Velvet Underground. Já em Secret Love (Concealed in a Drawing of a Boy) e Let Me Grow and You’ll See The Fruit, são melodias, arranjos cíclicos e dinâmicas sutis que evidenciam o traço autoral de Le Bon. Nada que prejudique a entrega de faixas ainda íntimas dos antigos registros da banda, como The Cute Things, música que ainda flerta com as guitarras de Keith Richards, confessa inspiração de Dowse durante todo o trabalho.

Partindo dessa abordagem equilibrada, Shaw e seus parceiros de banda seguem de onde haviam parado no registro anterior, Stumpwork (2022), porém livres de qualquer traço de comodidade. São canções que seguem em um ritmo próprio, longe da urgência apontada em New Long Leg, como um lento exercício de transição que escancara o esforço do Dry Cleaning em tensionar criativamente os limites da própria obra.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.