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Crítica

Diogo Strausz

: "Dance Para Se Salvar"

Ano: 2026

Selo: Favorite Recordings

Gênero: Funk, Disco, Soul

Para quem gosta de: Zopelar e Ana Frango Elétrico

Ouça: Montanha Mágica e Lutar, Viver, Reerguer

7.5
7.5

Diogo Strausz: “Dance Para Se Salvar”

Ano: 2026

Selo: Favorite Recordings

Gênero: Funk, Disco, Soul

Para quem gosta de: Zopelar e Ana Frango Elétrico

Ouça: Montanha Mágica e Lutar, Viver, Reerguer

/ Por: Cleber Facchi 27/01/2026

Em tempos de inteligências artificiais e sucessos fabricados que buscam emular a música dos anos 1970 e 1980, Diogo Strausz segue o caminho oposto em Dance Para Se Salvar (2026, Favorite Recordings). Gravado de forma analógica, o álbum de sete faixas funciona como uma viagem em direção ao passado, resgatando a estética de veteranos como Robson Jorge e Lincoln Olivetti sem nunca deixar de dialogar com o presente.

Com Carnaval de Gringo como composição de abertura, Strausz apresenta parte dos elementos que serão explorados ao longo do registro. Pouco mais de três minutos em que o artista vai do samba ao jazz em uma abordagem que ainda evoca nomes como Banda Black Rio e João Donato. É como um ensaio para o que se articula de maneira ainda mais interessante com a chegada da canção seguinte, a ensolarada Com Magia.

Marcada pelo capricho na elaboração dos arranjos, a música ainda chama a atenção pelo maior destaque dado às vozes de Dani Vie e Heloá Holanda, parceiras de Strausz durante toda a execução do trabalho. O mesmo refinamento estético fica ainda mais evidente com a chegada de Ele é Artista, canção que lembra Jorge Ben Jor, porém firma na aceleração das batidas e sintetizadores um diálogo atualizado com as pistas.

Nada que prejudique a entrega de composições altamente referenciais e nostálgicas. É o caso de Montanha Mágica. Com quase seis minutos de duração, a música atravessa as pistas para viajar pelo cosmos, soando como um encontro transcendental entre Nile Rodgers e Giorgio Moroder. A própria Lutar, Viver, Reerguer, vinda em sequência, é outra que fascina pela completa suavidade das vozes e o som revivalista de Strausz.

Passado esse momento de maior leveza, o músico volta a acelerar em Frevo Mulher. Ainda que a base da canção pouco acrescente em relação ao restante da obra, a simples decisão em adaptar o clássico de Zé Ramalho ao universo criativo do álbum rompe com qualquer traço de previsibilidade. O instrumentista ainda engata em Dance To Save Your Soul, faixa que parece saída de algum disco recente de Jessie Ware.

Ainda que o trabalho se encerre em Dance To Save Your Soul, o artista aproveita os minutos finais do disco para apresentar a própria versão de Popotão Grandão. Originalmente lançada por MC Neguinho do ITR e retrabalhada por ferramentas de IA para emular o soul/funk dos anos 1980, a canção cresce na releitura orgânica de Strausz. Da fluidez das guitarras, passando pela percussão, metais e vozes de Vie e Holanda, o instrumentista carioca prova que o calor humano ainda é a melhor resposta contra a lógica algorítmica.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.