Image
Crítica

Jenny On Holiday

: "Quicksand Heart"

Ano: 2026

Selo: Transgressive

Gênero: Pop Rock

Para quem gosta de: Let's Eat Grandma e CHVRCHES

Ouça: Every Ounce of Me e Do You Still Believe In Me?

7.0
7.0

Jenny On Holiday: “Quicksand Heart”

Ano: 2026

Selo: Transgressive

Gênero: Pop Rock

Para quem gosta de: Let's Eat Grandma e CHVRCHES

Ouça: Every Ounce of Me e Do You Still Believe In Me?

/ Por: Cleber Facchi 29/01/2026

Como uma das metades do Let’s Eat Grandma, Jenny Hollingworth passou grande parte da última década investindo em um repertório marcado por composições confessionais e altamente pegajosas. Interessante perceber em Quicksand Heart (2026, Transgressive), estreia da artista como Jenny On Holiday, uma obra que incorpora esses mesmos elementos temáticos e líricos, porém, partindo de uma abordagem diferente.

Longe da parceira de banda, Rosa Walton, Hollingworth investe em uma obra marcada por canções ainda mais sensíveis, intimistas e expositivas. É o caso de Dolphins, música em que usa da imagem dos golfinhos como símbolo de liberdade, ao mesmo tempo em que expressa saudade, dor e luto. São composições que preservam a tonalidade pop da musicista sem necessariamente sufocar a melancolia presente nos versos.

Parte desse resultado vem das próprias experiências vividas pela cantora nos últimos anos, como a morte do namorado, conflitos com a parceira de banda e experiências familiares. A simples escolha de utilizar o vestido de noiva da mãe como figurino para a imagem de capa do trabalho reforça esse caráter pessoal do registro. Tudo se projeta de maneira profundamente particular e, consequentemente, próxima do ouvinte.

Embora utilize uma abordagem bastante sensível e liricamente inescapável, direcionamento reforçado em composições como as pegajosas Every Ounce of Me e Good Intentions, Quicksand Heart é um registro que pouco acrescenta musicalmente ao repertório de Hollingworth. Salvo exceções, como Do You Still Believe In Me?, com suas guitarras destacadas, não há nada aqui que a artista já não tenha explorado anteriormente.

Do uso dos sintetizadores ao tratamento dado às batidas, tudo parece apontar para o trabalho da cantora em I’m All Ears (2018) e Two Ribbons (2022). Outro problema bastante evidente em Quicksand Heart diz respeito ao desequilíbrio de forças da obra, com a cantora concentrando as principais composições nos minutos iniciais do registro. É como se, passada a entrega de Dolphins, o álbum perdesse o fôlego criativo.

Ainda assim, Quicksand Heart reserva ao público algumas surpresas. Além da já citada Do You Still Believe In Me?, possivelmente a composição mais distinta da carreira de Hollingworth, o encerramento do trabalho com a entusiasmada Appetite traz o disco de volta aos eixos. Da letra que converte frustração em apetite por existir, passando pela construção dos arranjos e uso das vozes, cada fragmento da canção evidencia a capacidade da artista em seguir em frente, transformando as próprias adversidades e dores em inspiração.

Ouça também:

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.