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Crítica

QuedaLivre

: "Seres Urbanos"

Ano: 2026

Selo: AlterEgo

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Eliminadorzinho e Paira

Ouça: Acaso e PQ VC N Olha Mais Pra Mim???

8.3
8.3

QuedaLivre: “Seres Urbanos”

Ano: 2026

Selo: AlterEgo

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Eliminadorzinho e Paira

Ouça: Acaso e PQ VC N Olha Mais Pra Mim???

/ Por: Cleber Facchi 05/06/2026

Equilibrar momentos de profunda tensão com instantes de maior fragilidade emocional talvez seja uma das principais marcas do QuedaLivre em Seres Urbanos (2026, AlterEgo). Estreia do trio carioca formado por Lore (voz e guitarra), Victor Basto (voz, guitarra e produção) e João Mendonça (bateria e produção), o disco de nove faixas universaliza conflitos particulares enquanto escancara a versatilidade do grupo em estúdio.

Com Lado Animal como música de abertura, o trio apresenta parte dos elementos que serão incorporados ao longo da obra. Enquanto os versos destacam a sensibilidade poética do registro (“Invento desculpas pra fazer o que quero / O tato é mistério que provoca sem dó”), camadas de guitarras, ruídos e batidas sempre destacadas encolhem e crescem a todo momento, reforçando as dinâmicas e o domínio criativo do grupo.

São composições que transitam por diferentes estilos, como o shoegaze, o nu-metal e o drum and bass, e até acenam para a obra de artistas como Deftones e My Bloody Valentine, porém dentro de uma lógica própria do trio. Exemplo disso fica bastante evidente em PQ VC N Olha Mais Pra Mim???, faixa que transita em meio a instantes de angústia, fazendo da inserção das batidas eletrônicas um exercício de libertação emocional.

É como se cada nova composição jogasse com regras próprias, fazendo dessa colisão de estilos a base para uma obra que impossibilita o ouvinte de antecipar qualquer movimento. Em Acaso, por exemplo, guitarras soturnas e sinuosas desembocam em um noise rock denso e opressivo. Já em Deixa Pra Lá, com vozes que alternam entre o canto e a rima, um campo aberto às possibilidades, destacando o som exploratório do trio.

Embora parte de uma abordagem bastante curiosa, incorporando diferentes estilos e propostas criativas, o trio mantém firme a consistência do material durante toda a execução de Seres Urbanos. Seja pelo limitado número de instrumentos, escolha dos timbres e até pela quantidade reduzida de canções, perceba como tudo contribui para a entrega de um trabalho consistente, ainda que pontuado por pequenas fragilidades.

Do uso deficitário dos vocais, por vezes soterrados nos momentos em que a poesia fala mais alto, como em Narciso, passando pelas repetições temáticas, sempre consumidas por crises existenciais, Seres Urbanos tropeça, mas nunca perde o equilíbrio. Produzido pelo trio, o álbum destaca a sensibilidade do grupo em transformar as próprias dores, medos e tormentos no estímulo para uma obra que transborda sentimento.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.