Ano: 2026
Selo: Slap
Gênero: R&B, MPB, Pop
Para quem gosta de: Rachel Reis e Marina Sena
Ouça: Como Deve Ser, Me Livra de Todo Mal e Amanhã
Ano: 2026
Selo: Slap
Gênero: R&B, MPB, Pop
Para quem gosta de: Rachel Reis e Marina Sena
Ouça: Como Deve Ser, Me Livra de Todo Mal e Amanhã
Em Mais Forte Que a Dúvida (2026, Slap), segundo e mais recente álbum de Melly, todo e qualquer traço de incerteza cai por terra. Sequência ao material apresentado em Amaríssima (2024), o registro deixa de lado o reducionismo e a fragilidade lírica que marcam o repertório do disco anterior para destacar a força dos versos e a pluralidade de estilos que elevam de maneira explícita a obra da cantora e compositora baiana.
Atravessado por conceitos da filosofia Ubuntu, que combina elementos de religiosidade, individualidade e a interdependência entre humanos e a natureza, Mais Forte Que a Dúvida é um álbum de decisões firmes. Do uso destacado das vozes, levando o trabalho de Melly para outras direções, passando pela construção das batidas, perceba como a artista baiana avança sobre o ouvinte sem qualquer chance de escapatória.
“Pinto um mundo colorido / Eu nem me estresso mais / Põe na conta do destino / Eu nem me estresso mais”, anuncia logo nos minutos iniciais da obra, apontando o caminho para o restante do material. São músicas que tratam sobre relações e conflitos enfrentados diariamente pela artista, porém, substituindo a aparente vulnerabilidade do registro anterior por um trabalho marcado pela intuição, potência e coragem de Melly.
Exemplo disso fica bastante evidente em Amanhã. Enquanto os versos reafirmam a abordagem decidida de Melly (“Se eu fiz o que eu fiz / Eu fiz porque quis”), arranjos, batidas e bases ascendentes se articulam para destacar a força das vozes assumidas pela artista em parceria com a conterrânea Luedji Luna. É como se a cantora, acompanhada pela produção apurada de Iuri Rio Branco, soubesse exatamente para onde seguir.
E isso fica bastante evidente durante toda a primeira metade do trabalho, com a cantora despejando uma sequência de faixas inescapáveis como Livre de Todo Mal, Mirante e Ana, deliciosa parceria com Liniker. Pena que essa mesma fluidez não seja percebida na porção seguinte do disco, com Melly investindo em uma abordagem mais exploratória e, consequentemente, instável. São canções como a latina Gosto Mucho, Devagar Sem Agonia, com Léo Santana, e Ela Gosta de Menina, junto de Anitta, que parecem incapazes de alcançar o mesmo refinamento poético e instrumental explícito na abertura de Mais Forte Que a Dúvida.
Ainda assim, ao pontuar o disco com A Voz do Coração, Melly não apenas corrige a trajetória do material em seus minutos finais, como deixa o caminho aberto para o futuro. Da base funkeada que leva o trabalho da artista para outras direções, passando pela letra esperançosa (“Fazendo as coisas que eu amo / O meu momento vai chegar / Eu tenho um plano”), cada fragmento revela o domínio criativo e as certezas de Melly.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.