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Crítica

Beck

: "Ride Lonesome"

Ano: 2026

Selo: Capitol

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Eels e The Flaming Lips

Ouça: Falling Through My Hands e In The Night

5.5
5.5

Beck: “Ride Lonesome”

Ano: 2026

Selo: Capitol

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Eels e The Flaming Lips

Ouça: Falling Through My Hands e In The Night

/ Por: Cleber Facchi 05/10/2026

De tempos em tempos, Beck abandona a habitual combinação de estilos que fizeram dele um dos artistas mais relevantes da cena norte-americana para investir em um repertório acústico e contemplativo. Em Sea Change (2002), por exemplo, é o término de um relacionamento que embala as canções do cantor, conceito espelhado no posterior Morning Phase (2014), álbum que evidencia o lado intimista do músico californiano.

Embora similares em termos de estrutura, esses trabalhos cumprem uma função específica, detalhando de forma quase documental um determinado período de tempo vivido pelo artista. Em Ride Lonesome (2026), primeiro disco de inéditas de Beck em sete anos, o caminho percorrido pelo compositor é o mesmo, mas as reflexões propostas ao longo da obra assumem um tom quase artificial, sem a força da experiência vivida.

Em geral, são canções que parecem montadas a partir de frases prontas e discursos motivacionais baratos. “Você tem que tentar encontrar a estrada / Você tem que chorar um rio / E segui-lo até chegar em casa / Sozinho”, canta o artista na autointitulada faixa de abertura. É como se o cantor buscasse incorporar a dor do country/folk sem jamais acessá-la, mergulhando em uma obra marcada pelo distanciamento emocional.

A própria base instrumental partilha do mesmo acabamento genérico. É possível passar horas pelo disco sem criar qualquer apego. Com produção assinada pelo artista, Ride Lonesome se sustenta a partir de um limitado acabamento acústico. São faixas espalhadas em meio a jogos de violões e arranjos de cordas que se articulam muito mais como uma maquiagem sonora do que parte realmente substancial do repertório.

Não por acaso, quanto mais se distancia desse resultado moroso, mais o cantor favorece o crescimento do disco. Exemplo disso pode ser percebido em Falling Through My Hands, música adornada pelas melodias psicodélicas e pianos cristalinos que evocam The Flaming Lips em Yoshimi Battles the Pink Robots (2002). Surgem ainda preciosidades como In The Night, destacando o minimalismo e a precisão do instrumentista.

São pequenos respiros criativos, mas que pouco favorecem o desenvolvimento da obra ou mesmo parecem capazes de bagunçar as estruturas apontadas pelo artista logo nos minutos iniciais do disco. Um exercício confortável, inegavelmente belo, porém incapaz de causar a mesma sensação de impacto dos registros que o antecedem. Em Ride Lonesome, Beck cavalga solitário e dificilmente deve desfrutar de boa companhia.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.