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Crítica

Jae Stephens

: "Audacity"

Ano: 2026

Selo: Def Jam / Raedio

Gênero: R&B, Pop

Para quem gosta de: Tinashe e Kelela

Ouça: I Miss The City, Sugar Trap e Gymnastics

8.2
8.2

Jae Stephens: “Audacity”

Ano: 2026

Selo: Def Jam / Raedio

Gênero: R&B, Pop

Para quem gosta de: Tinashe e Kelela

Ouça: I Miss The City, Sugar Trap e Gymnastics

/ Por: Cleber Facchi 09/10/2026

Basta uma rápida audição para que todas as referências de Jae Stephens em Audacity (2026) se revelem por completo. São ecos de Janet Jackson, Beyoncé, Mariah Carey, Britney Spears e tantos outros nomes que movimentaram o pop entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000. A própria imagem de capa do trabalho, quase quadrinesca, parece emular a estética de Ciara, Aaliyah e outras cantoras do gênero.

Entretanto, todos esses componentes soam como realmente deveriam parecer: referências. Amparada pela obra de artistas que moldaram o R&B nas últimas três décadas, Stephens, que já compôs para nomes como Jennifer Lopez e Normani, trilha um percurso próprio no decorrer do material. Não se trata de um registro transgressor, mas de um trabalho que executa com eficiência e dinamismo uma estrutura bastante familiar.

A própria sequência de abertura do trabalho, formada por músicas como Crush, No One Knows My Name, Attaboy e Sugar Trap, funciona como uma boa representação desse resultado. Pouco mais de dez minutos em que Stephens desfila em meio a batidas certeiras e canções que aplicam verso, refrão, ponte e repetição com o domínio de uma artista que não apenas estudou o R&B e a música pop, como aplicou à própria obra.

E não poderia ser diferente. Ainda que Audacity seja apenas o primeiro álbum de estúdio da artista texana, Stephens acumula uma sequência de EPs e até uma coletânea, Total Sellout (2025), que concentra algumas de suas melhores criações. E isso se reflete durante toda a execução do disco, com a cantora equilibrando composições sensuais e românticas com momentos de maior vulnerabilidade que dialogam com o ouvinte.

A diferença em relação a outros exemplares do gênero, com personagens femininas subservientes a figuras masculinas, está na forma como Stephens potencializa o discurso empoderador de nomes como Beyoncé e Jazmine Sullivan. São canções que tratam sobre independência financeira e liberdade sexual de maneira naturalizada, direcionamento reforçado em preciosidades como Gymnastics e a inescapável I miss the city.

Dessa forma, mesmo que o trabalho não apresente grandes rupturas estruturais, Stephens compensa com a elaboração dos versos que avançam de maneira decidida sobre o ouvinte, mas nunca panfletários. É como se o diálogo com o pop prevalecesse durante toda a execução do registro. Canções que incorporam temas e elementos há muito explorados por outras artistas, mas nunca formulaicas ou minimamente previsíveis.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.