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Crítica

Troye Sivan

: "She’s The Best"

Ano: 2026

Selo: Interscope

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Charli XCX e Lorde

Ouça: FF, Party e She's The Best

7.6
7.6

Troye Sivan: “She’s The Best”

Ano: 2026

Selo: Interscope

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Charli XCX e Lorde

Ouça: FF, Party e She's The Best

/ Por: Cleber Facchi 20/10/2026

O que acontece quando a festa chega ao fim? É exatamente isso que Troye Sivan busca explorar em She’s The Best (2026). Sequência ao material entregue em Something To Give Each Other (2023), o registro deixa de lado a euforia e os excessos do álbum anterior para mergulhar em um repertório que resgata a essência melancólica explícita em Bloom (2018) sem necessariamente depender dos mesmos conceitos e estruturas.

Embora posicionada próxima ao encerramento do álbum, FF funciona como uma boa representação desse resultado. Enquanto os versos exploram o desejo intenso, a visceralidade e uma íntima conexão sexual que serve como refúgio em momentos de incerteza, guitarras distorcidas invadem com dramaticidade a faixa. É como se Sivan ampliasse emocionalmente tudo aquilo que havia testado em estúdio nas canções de Bloom.

A própria escolha de inaugurar o trabalho com a faixa-título do disco, uma composição que alterna entre o canto e os versos declamados, funciona como uma clara representação de tudo aquilo que o artista busca explorar ao longo do registro. São criações que se distanciam da canção tradicional, do pop imediatista e da urgência explícita em Something To Give Each Other para destacar o amadurecimento poético de Sivan.

Claro que essa mudança de abordagem não interfere na entrega de composições ainda íntimas do registro entregue há três anos. Em Canada Dry, por exemplo, batidas e sintetizadores que flertam com a acid house abrem passagem para uma letra marcada pelo desejo ardente e a atração física. Esse mesmo diálogo com as pistas se reflete em Party, canção que conta com trechos de Music, sucesso de Madonna nos anos 2000.

Ainda assim, prevalece na vulnerabilidade dos versos e nos momentos de maior contemplação o estímulo para algumas das melhores canções do disco. Da atração intensa e quase submissa expressa em Cowboy, composição que evoca Perfume Genius, passando pela doce melancolia de Embarrassingly e Love So Big It Hurts, sobram momentos em que Sivan convence pela sensibilidade e pela íntima relação com o ouvinte.

Mesmo que esses instantes de maior fragilidade emocional nem sempre pareçam bem ajustados dentro do disco, como em Sex Star e na derradeira Lost Time, com participação de Lily-Rose Depp, são essas músicas que afastam Sivan de uma obra derivativa. É como se o artista se revelasse por completo, transitando entre canções que vão da euforia das pistas aos momentos de amarga solidão, sem jamais se distanciar do pop.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.