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Crítica

Alchemical Sisters

: "Alchemical Sisters"

Ano: 2026

Selo: Interdimensional Transmissions

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: The Chemical Brothers e Octo Octa

Ouça: This is How it Should Be Done e Double Acid

8.2
8.2

Alchemical Sisters: “Alchemical Sisters”

Ano: 2026

Selo: Interdimensional Transmissions

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: The Chemical Brothers e Octo Octa

Ouça: This is How it Should Be Done e Double Acid

/ Por: Cleber Facchi 04/11/2026

Com o divertido título de Alchemical Sisters, uma resposta feminina ao trabalho da dupla britânica The Chemical Brothers, Maya Bouldry-Morrison (Octo Octa) e Eris Drew deixam bastante clara a proposta do primeiro álbum de estúdio do projeto. Nomes de peso na cena eletrônica estadunidense, as duas artistas encontram na produção maximalista dos anos 1990 o estímulo para o repertório do disco de oito canções.

Entre ecos de Fatboy Slim, The Prodigy e outros articuladores da Big Beat, estilo que movimentou a cena inglesa até o início dos anos 2000, Bouldry-Morrison e Drew estabelecem as bases para um trabalho tão referencial quanto próprio da dupla norte-americana. A própria This is How It Should Be Done, com suas batidas cíclicas e sintetizadores ácidos, dá conta de ambientar o ouvinte ao universo criativo do registro.

Munidas de equipamentos analógicos e instrumentos reais, as duas artistas não se limitam apenas ao uso dos samples. É como se Bouldry-Morrison e Drew fizessem exatamente o que Tom Rowlands, Ed Simons e tantos outros nomes do período propuseram há mais de três décadas: revisitar o rock psicodélico dos anos 1960 de maneira artesanal, porém incorporando elementos da pista de dança. E como elas fazem isso bem.

É praticamente impossível atravessar a primeira metade do trabalho e não ser compelido a dançar. Do uso de sintetizadores quase liquefeitos em Double Acid, faixa que evoca veteranos como Juan Atkins, passando pela abordagem ascendente de Anytime Sisters Slide, canção que soa como um remix lisérgico do Primal Scream, cada fragmento do disco conduz o ouvinte para um novo território sem jamais perder o controle.

Mesmo quando muda de direção na metade seguinte, o álbum nunca deixa de encantar. Em Did You Know, por exemplo, chama a atenção o refinamento melódico e o reducionismo das batidas, proposta que aponta para a obra do grupo alemão Kraftwerk. Já em Song For New Hampshire, o tom ritualístico, quase cósmico, mergulha no som contemplativo de nomes como The Orb, ampliando ainda mais os horizontes do trabalho.

Apesar dessas diferentes variações de estilos, nada foge ao controle da dupla norte-americana. Conhecidas por suas longas e sempre caprichosas discotecagens, as duas artistas transportam para dentro de estúdio o mesmo cuidado explícito nas apresentações. É como uma transmutação sonora que condensa décadas de referências, diferentes gêneros e propostas criativas em um trabalho que naturalmente brilha como ouro.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.