Ano: 2025
Selo: The Flesner
Gênero: Rock, Black Metal
Para quem gosta de: Deafheaven e Asunojokei
Ouça: My Garden, Bodhidharma e The Weight
Ano: 2025
Selo: The Flesner
Gênero: Rock, Black Metal
Para quem gosta de: Deafheaven e Asunojokei
Ouça: My Garden, Bodhidharma e The Weight
Muito embora a visceralidade explícita na introdutória My Garden faça o ouvinte pensar em The Spiritual Sound (2025, The Flesner) como uma obra de extremos, a proposta seguida pelo Agriculture no segundo trabalho de estúdio é bem diferente. A própria suavidade explorada nas vozes durante os minutos finais da mesma composição ajuda a entender isso, com o grupo apontando o caminho para o restante do material.
Entretanto, o registro produzido pelo guitarrista Richard Chowenhill está longe de parecer um trabalho de contrastes. Em colaboração com Dan Meyer (guitarra e voz), Leah B. Levinson (baixo e voz) e Kern Haug (bateria), o músico joga com os instantes, investindo em pequenos bolsões sensoriais e respiros que servem de preparação para momentos de maior catarse ou mesmo para o fechamento de faixas como The Weight.
O próprio processo de construção dos versos torna isso bastante explícito. Dotado de uma visão profunda sobre a nossa sociedade, Meyer, principal compositor do disco, reflete sobre o colapso do capitalismo e o caos social, porém estabelece momentos de doce contemplação espiritual, acolhimento e versos que tratam de forma sensível sobre a comunidade queer, indo da pandemia de HIV/AIDS às conquistas do movimento.
Em Dan’s Love Song, por exemplo, perceba como a banda desacelera, porém mantém a base ruidosa para tratar de uma canção de amor que transcende o tempo, afirmando a existência e o afeto antes mesmo do nascimento. Nada que roube o espaço de músicas profundamente caóticas, como Flea, Micah (5:15am) e demais criações extremas, destacando a capacidade do grupo californiano em testar os próprios limites.
Ainda assim, é quando alcança um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos do trabalho que a banda garante ao público algumas de suas melhores composições. É o caso de Bodhidharma, faixa que combina vozes guturais e trechos quase sussurrados sem qualquer chance de preparação para o ouvinte. O mesmo acontece na derradeira The Reply, música que ainda se abre para as vozes da cantora Emma Ruth Rundle.
Essa ambivalência faz de The Spiritual Sound uma obra tão devastadora quanto reconfortante. São canções que tratam sobre o sofrimento humano sem glorificação ou oportunismo estético, revelando a todo instante o lirismo consciente de Meyer e seus parceiros de banda. Não se trata de algo inédito, mas profundamente honesto. Um misto de ternura e tensão que escancara a complexidade do quarteto dentro e fora de estúdio.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.