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Crítica

Buhr

: "Feixe de Fogo"

Ano: 2026

Selo: Sound Department

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Ava Rocha e Tulipa Ruiz

Ouça: Ânsia, Feixe de Fogo e Desmotivacional

8.6
8.6

Buhr: “Feixe De Fogo”

Ano: 2026

Selo: Sound Department

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Ava Rocha e Tulipa Ruiz

Ouça: Ânsia, Feixe de Fogo e Desmotivacional

/ Por: Cleber Facchi 17/04/2026

Mesmo em sua forma mais sintética, Buhr, artista anteriormente conhecida como Karina Buhr, permanece expansiva. Em Feixe De Fogo (2026, Sound Department), primeiro trabalho de inéditas após um intervalo de sete anos, a baiana que cresceu no Recife limita o número de parceiros em estúdio, adota uma proposta reducionista e cria pequenos respiros que servem como alavancas para os momentos de intensa explosão.

Concebido em conjunto com o produtor e multi-instrumentista Rami Freitas, o registro de onze canções diz a que veio logo nos primeiros minutos, na própria faixa-título. Enquanto os versos exploram a resiliência e o autoconhecimento por meio do enfrentamento da dor, camadas de guitarras, ruídos e texturas assinadas por Arto Lindsay e Fernando Catatau geram as bases para a composição que explode nos minutos finais.

É como se cada fragmento do disco fosse revelado ao público em pequenas doses, sem pressa, como uma interpretação ainda mais precisa de tudo aquilo que a artista tem explorado desde a estreia com Eu Menti pra Você (2010). A diferença está na forma como Buhr ajusta essas intensidades, alternando entre canções densas, sujas e agressivas, mas também consumidas por momentos de extrema vulnerabilidade emocional.

Os ímãs da geladeira estão sabendo, mas nada me dizem / Sou das coisas do teu nome o último a saber”, desaba em 70 Cigarros, música que, mesmo precedida da confiante Anzol, reflete a fragilidade de Buhr. A própria escolha de Ânsia como primeira composição do disco a ser revelada ao público sintetiza isso. São faixas que espiam as pequenas novelas do cotidiano e angústias tão íntimas da baiana quanto do ouvinte.

Nesse sentido, os espaços vazios deixados pela artista ao longo do registro, como nas reducionistas Vale Brinde e Seilasse, parecem pensados para serem preenchidos pelos sentimentos. Nada que prejudique a entrega de faixas imediatas, como Desmotivacional, com Russo Passapusso, e Ôxe, parceria com Josyara e Negadeza que faz lembrar dos trabalhos de Buhr quando ainda integrava o projeto Comadre Fulozinha.

Dividida entre a contenção e a catarse, o olhar para o passado e a (des)construção da própria identidade, Buhr encontra as bases para uma de suas obras mais complexas. Mesmo que traços dos antigos trabalhos sejam notados durante toda a execução do álbum, como a urgência de Longe de Onde (2011), a densidade de Selvática (2015) e a vulnerabilidade de Desmanche (2019), a artista acerta justamente ao fracionar esses elementos e remontar cada nova composição preservando apenas o que há de mais essencial dentro delas.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.