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Crítica

Converge / Chelsea Wolfe

: "Bloodmoon: I"

Ano: 2021

Selo: Epitaph / Deathwish

Gênero: Sludge Metal, Metal Gótico

Para quem gosta de: Thou e Emma Ruth Rundle

Ouça: Blood Moon e Coil

7.3
7.3

Converge & Chelsea Wolfe: “Bloodmoon: I”

Ano: 2021

Selo: Epitaph / Deathwish

Gênero: Sludge Metal, Metal Gótico

Para quem gosta de: Thou e Emma Ruth Rundle

Ouça: Blood Moon e Coil

/ Por: Cleber Facchi 29/12/2021

Em 2016, os integrantes do Converge se reuniram para uma série de apresentações ao vivo marcada pelo forte aspecto colaborativo. No palco, além dos membros da banda formada por Jacob Bannon, Kurt Ballou, Nate Newton e Ben Koller, nomes como o ex-integrante Stephen Brodsky, o pianista Ben Chisholm e a cantora e compositora Chelsea Wolfe, artista que vinha estreitando a relação com diferentes nomes do metal norte-americano. Agora, o grupo de Salem, Massachusetts, decidiu ampliar ainda mais esse projeto, levando para dentro de estúdio parte das canções e criativa combinação de ideias iniciada há cinco anos.

O resultado dessa parceria está nas canções de Bloodmoon: I (2021, Epitaph / Deathwish). Finalizado em um intervalo de mais de um ano, o trabalho concentra o que há de melhor e mais característico na obra de cada realizador. São composições essencialmente densas e íntimas das criações de Wolfe, porém, guiadas em essência pela bateria dinâmica de Koller e completas pelo som ruidoso que escapa das guitarras de Ballou, também produtor do disco. Instantes em que cada colaborador parece confessar referências e inserir traços da própria identidade autoral, como uma turbulenta combinação de ideias e possibilidades.

E isso fica bastante evidente na introdutória Blood Moon. São pouco menos de oito minutos em que os sete colaboradores apresentam parte dos conceitos que serão explorados até a derradeira Blood Down. Do uso instrumental das vozes de Wolfe, passando pela sobreposição ascendente das guitarras à voz gutural de Bannon, cada elemento parece pensado para ambientar e provocar o ouvinte na mesma proporção. É como se o grupo transportasse para dentro de estúdio a mesma carga da apresentação ao vivo de cinco anos atrás, direcionamento que se reflete de forma ainda mais insana nos minutos finais da canção.

Essa mesma força criativa e entrega de cada colaborador dentro de estúdio acaba se refletindo em diversos outros momentos ao longo da obra. É o caso de Coil. Uma das primeiras composições do disco a serem apresentadas ao público, a faixa parte de uma base acústica, lembrando os primeiros registros autorais de Wolfe, porém, cresce de forma a se transformar em um dos momentos de maior grandeza do álbum. Nada que se compare ao material entregue em Daimon e Crimson Stone, sequência que encolhe e crescem a todo instante, sempre de maneira irregular, torta, tensionando a experiência do ouvinte.

É justamente essa estrutura contrastante que torna a experiência de ouvir o trabalho tão satisfatória. É como se o grupo alcançasse um ponto de equilíbrio entre a aceleração que orienta algumas das principais criações do Converge, como em Jane Doe (2001) e Axe to Fall (2009), e a forte dramaticidade que há tempos caracteriza as canções de Wolfe. Exemplo disso fica bastante evidente em Lord of Liars, música que ganha forma em meio a incontáveis camadas de guitarras e vozes que vão de um canto a outro sem necessariamente perder o controle, indicando o permanente equilíbrio que serve de sustento ao álbum.

Não por acaso, sobrevive nos momentos em que mais se distancia desse resultado algumas das faixas menos significativas do registro. São canções como Failure Forever e Scorpion’s Sting que não apenas rompem com a abordagem contrastante que orienta parte expressiva do trabalho, como trilham um caminho excessivamente confortável e até mesmo tedioso, valorizando ou diminuindo de forma desordenada uma das metades do projeto. É como se o álbum se estendesse para além do necessário, como uma tentativa de ampliar o que talvez fosse melhor resolvido em um número menor de composições.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.