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Crítica

Dagmar Zuniga

: "In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music"

Ano: 2026

Selo: Ad 93

Gênero: Folk, Lo-Fi

Para quem gosta de: Grouper e Joanne Robertson

Ouça: Even God Gets Stuck In Devotion e Garden

8.0
8.0

Dagmar Zuniga: “In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music”

Ano: 2026

Selo: Ad 93

Gênero: Folk, Lo-Fi

Para quem gosta de: Grouper e Joanne Robertson

Ouça: Even God Gets Stuck In Devotion e Garden

/ Por: Cleber Facchi 21/04/2026

Originalmente lançado no YouTube, em janeiro do último ano, e reeditado agora pelo selo britânico AD 93, In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music é uma obra que parece dançar pelo tempo. Estreia da cantora e compositora nova-iorquina Dagmar Zuniga, o registro gravado em fita cassete, em um Tascam 424, destaca a capacidade da artista em criar um álbum marcado pelo caráter atmosférico.

São pouco menos de 30 minutos em que a cantora, sempre rodeada por diferentes colaboradores, parte de um violão e ambientações acústicas para revelar ao público um disco tão atual quanto nostálgico. Canções que evocam a obra de artistas como Vashti Bunnyan e Karen Dalton, mas em nenhum momento ocultam a sensibilidade poética e entrega da compositora que encantou músicos como Phil Elverum (Mount Eerie).

Parte desse resultado vem do próprio processo de criação do trabalho. Gravado em um intervalo de cinco anos, entre 2019 e 2024, In Filth Your Mystery Is Kingdom / Far Smile Peasant In Yellow Music é uma dessas obras que se revelam aos poucos, sem pressa. São movimentos calculados de violão que se completam pela inserção de outros instrumentos ocasionais, destacando a sensibilidade da musicista ao longo do material.

A própria escolha de Even God Gets Stuck In Devotion como faixa de abertura torna isso bastante evidente. Enquanto os ruídos da captação caseira servem de base para a composição, o violão melancólico, as vozes dobradas e a flauta ocasional funcionam como elementos contrastantes. Canções essencialmente curtas, como Garden, Her Master’s Voice e Plenty (For All of Life’s Messes), que destacam o refinamento da artista.

Zuniga aproveita ainda para experimentar. Em LN60: Jupiter opposite Jupiter, por exemplo, são teclados e ambientações sujas que se arrastam em uma base drone, lembrando as criações de nomes como Grouper. Já em Photography the Hard Way, a voz submersa abre passagem para as batidas e os teclados melódicos de Hayes Hoey, proposta que rompe com o folk psicodélico dos anos 1970, base para o trabalho da cantora.

É como se cada faixa abrisse passagem para um novo território criativo, proposta que fragiliza a estrutura do material, porém engrandece o caráter exploratório da musicista. Concebido e lançado por Zuniga sem grandes pretensões, o trabalho destaca a capacidade da cantora em fazer muito com pouco. Um misto de contenção e descoberta que destaca o caráter singular da musicista durante toda a execução do trabalho.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.