Ano: 2025
Selo: Warp
Gênero: Rap
Para quem gosta de: JPEGMAFIA e Death Grips
Ouça: Copycats, Lift You Up e What You See
Ano: 2025
Selo: Warp
Gênero: Rap
Para quem gosta de: JPEGMAFIA e Death Grips
Ouça: Copycats, Lift You Up e What You See
Primeiro trabalho de Danny Brown desde o período de internação em uma clínica de reabilitação, Stardust (2025, Warp) nasce como um contraponto esperançoso ao sombrio Quaranta (2023). Acompanhado de um vasto time de colaboradores, o artista de Detroit, Michigan, se aventura na realização de faixas que tratam sobre recomeço e redenção, reafirmando a potência do rap como parte fundamental da própria existência.
Entretanto, enquanto os versos destacam a sensibilidade poética de Brown, musicalmente o artista conduz o material para outras direções. Fortemente influenciado pelo hyperpop e pela produção eletrônica, Brown faz de Stardust um campo aberto à experimentação. São composições que atravessam as pistas de dança e destacam o lado exploratório do rapper sem necessariamente romper com a essência dos antigos registros.
Exemplo disso fica bastante evidente na colaborativa Copycats. Completa pela presença de Underscores, a faixa destaca o que há de mais acessível e pegajoso na obra do rapper. São pouco menos de três minutos em que os dois parceiros vão ao encontro do mesmo pop anfetaminado de Charli XCX, 100 gecs e outros nomes recentes, porém, alcançando um ponto de equilíbrio entre o uso do canto e a construção das rimas.
Mesmo quando se articula de maneira solitária, como em Starburst, Brown mantém firme a mesma fluidez em estúdio. Nada que prepare o ouvinte para o material entregue em Lift You Up. Pronta para as pistas, a composição destaca a força das rimas, porém chama a atenção pelo dinamismo das batidas e curioso flerte com o house music, lembrando o trabalho de Rochelle Jordan no ainda recente Through The Wall (2025).
Claro que isso não interfere na entrega de canções que utilizam de uma abordagem tradicional. É o caso de What You See, parceria com Quadeca que faz lembrar a boa fase de Chance The Rapper. A própria música de abertura, completa pelo mesmo colaborador, funciona como um bom indicativo do que ainda está por vir. Surgem ainda composições como The End, parceria com Ta Ukrainka, Zheani e Cynthoni que alcança um precioso ponto de equilíbrio entre a atual fase e os antigos registros produzidos pelo norte-americano.
Se, por um lado, essa pluralidade de ideias concede frescor ao novo repertório de Brown, por outro, torna a experiência de ouvir o trabalho confusa. É como se o rapper atirasse para diferentes direções, perdendo o equilíbrio alcançado em obras também diversas como Old (2013) e Atrocity Exhibition (2016). Um insano cruzamento de informações que, para o bem ou para o mal, orienta criativamente os rumos de Stardust.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.