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Crítica

DJ K

: "O Fim!"

Ano: 2024

Selo: Bruxaria Sound

Gênero: Eletrônica, Funk

Para quem gosta de: MU540 e DJ Ramemes

Ouça: Set Anti Sistema e Remedio pra Noia

8.2
8.2

DJ K: “O Fim!”

Ano: 2024

Selo: Bruxaria Sound

Gênero: Eletrônica, Funk

Para quem gosta de: MU540 e DJ Ramemes

Ouça: Set Anti Sistema e Remedio pra Noia

/ Por: Cleber Facchi 21/06/2024

O Fim! (2024, Bruxaria Sound) é só o começo para DJ K. Menos de um ano após o lançamento de Pânico no Submundo (2023), Kaique Alves Vieira está de volta com um novo e ainda mais insano trabalho de estúdio. São pouco mais de 60 minutos em que o artista continua a tensionar a própria criação, proposta que segue de onde o produtor parou há poucos meses, incorporando a mesma atmosfera de horror e hedonismo do registro que o antecede, porém, partindo de uma abordagem essencialmente experimental, suja e política.

Mesmo excessivamente longo e apoiado em uma série de elementos originalmente testados em Pânico no Submundo, o que diminui drasticamente a sensação de impacto em relação ao material, O Fim! segue como um campo aberto às possibilidades e experimentos do produtor. É menos um disco e mais uma compilação de ideias, proposta que vez ou outra esbarra em composições que mais parecem uma confusa colcha de retalhos, como Invadindo Agencia Bancaria, mas em nenhum momento deixam de surpreender o ouvinte.

Do momento em que tem início, na autointitulada música de abertura, com seus fragmentos de notícias que vão de Gaza ao Rio de Janeiro, DJ K instaura uma atmosfera aterrorizante que substitui o cinema de horror de Pânico no Submundo pela crueza da realidade. A partir desse ponto, motos em alta velocidade, noites de excessos, armas e sexo compõem a narrativa frenética que o produtor encaixa entre uma batida e outra. Um incessante atravessamento de informações que segue até a entrega da derradeira Bruxaria do Sacomã.

Parte desse resultado vem do maior interesse do artista pela produção eletrônica em um sentido rítmico e menos circunstancial em relação ao disco anterior. Ainda que movido por uma lógica torta de criação, DJ K se aventura na entrega de faixas que parecem verdadeiramente pensadas para as pistas, garantindo uma fluidez talvez inexistente em Pânico no Submundo. São músicas como Set Anti Sistema e Beat Que Faz Até Sua Tia Baforar, com suas batidas que esbarram no techno, porém, preservando a identidade do produtor.

Ainda assim, sobrevive nos momentos de maior experimentação e completa ruptura do disco a passagem para algumas das melhores criações do produtor. É o caso de Remédio Pra Noia, com MU540 e DJ M3, em que parte de um sample de Castelo Rá-Tim-Bum para mergulhar em um tuim infernal. Outra que chama a atenção é Dando Sarrada, canção em que perverte o pop comportado de Marina Sena, conceito também explícito em Sexo na Rave, com trechos extraídos da música Nave Espacial, de Liu e Samantha Machado.

O resultado desse processo está na entrega de uma obra deliciosamente caótica. São momentos em que o produtor esbarra na entrega de faixas talvez palatáveis ao grande público, como se dialogasse com uma parcela ainda maior de ouvintes, para logo em sequência corromper todo e qualquer traço de conforto. Como indicado logo nos minutos iniciais do trabalho, O Fim! é um registro marcado pela brutalidade dos acontecimentos recentes e DJ K parece ter encontrado um jeito único de interpretar isso musicalmente.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.