Ano: 2025
Selo: Independente
Gênero: Rock, Emo
Para quem gosta de: Braid e Cap'n Jazz
Ouça: Lines, Sure, Ok e Wait, Do You Hear That?
Ano: 2025
Selo: Independente
Gênero: Rock, Emo
Para quem gosta de: Braid e Cap'n Jazz
Ouça: Lines, Sure, Ok e Wait, Do You Hear That?
Você não precisa ir além da introdutória Sure, OK para mergulhar no universo criativo do First Day Back em Forward (2025, Independente). Das vozes berradas, passando pelas linhas melódicas que contrastam com a visceralidade dos versos, cada fragmento do registro de nove faixas funciona como um passeio pelo repertório despejado pelo Cap’n Jazz, Braid e outros veteranos da música emo durante a década de 1990.
Entretanto, para além da nostalgia não vivenciada, afinal, nenhum dos integrantes do First Day Back era nascido quando essas bandas estavam no auge de suas carreiras, prevalece em Forward um esforço em dialogar com o passado sem parecer derivativo. O próprio estilo de produção do trabalho, gravado ao vivo, em uma sala de estar, torna tudo ainda mais intenso, doloroso e, consequentemente, próximo do ouvinte.
Outro aspecto bastante representativo do que define o trabalho do First Day Back diz respeito ao papel da vocalista Maggie como principal compositora do disco. Longe do universo masculino que historicamente orientou a cena emo entre os anos 1990 e 2000, a artista de Santa Cruz propõe uma abordagem diferente, explorando novas temáticas e ampliando criativamente os domínios do gênero de forma sempre sensível.
Exemplo disso acontece em Us. Consumida pela brutalidade das emoções, a faixa se aprofunda na relação conflituosa entre a compositora e o próprio pai. Um misto de culpa, ressentimento e afeto, mostrando como o amor ainda resiste mesmo em um ambiente doméstico marcado pela dor. É como se a cantora, longe do romantismo barato de outras obras do gênero, usasse do tom confessional para testar novas possibilidades.
O mais interessante talvez seja perceber a profundidade das composições de Maggie mesmo na entrega de músicas curtas. É o caso de Paint, canção que explora o isolamento como forma de transcendência e ainda destaca os violinos melancólicos da musicista. A mesma entrega acaba se refletindo na intensa Lines, faixa que trata sobre vulnerabilidade emocional e ainda escancara o uso ruidoso, texturas e bases das guitarras.
Dessa forma, o que poderia culminar em um pastiche acaba se revelando como um trabalho dotado de identidade própria. Acompanhada pelos músicos Spencer (bateria), Nathan (guitarras), Zion (guitarras) e Luke (baixo), Maggie se aventura na produção de um repertório que equilibra nostalgia e reverência, dor e libertação em um delicado exercício criativo e emocional que nunca deixa de dialogar com o público.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.