Ano: 2026
Selo: Retalho Music
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Varanda e Cidade Dormitório
Ouça: Nosso Quadro, Fora do Ar e Deixa Eu
Ano: 2026
Selo: Retalho Music
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Varanda e Cidade Dormitório
Ouça: Nosso Quadro, Fora do Ar e Deixa Eu
De avanço lento e poesia contemplativa, Sem Início Nem Fim (2026, Retalho Music) é uma obra que cresce em uma medida particular de tempo, sem pressa. Estreia do grupo paulista Infinito Latente, o trabalho de acabamento labiríntico destaca a capacidade do quarteto formado pelos músicos Maira Bastos (voz), Igor Sganzerla (teclado), Pedro Sardenha (baixo) e João Dussam (voz e violão) em seduzir o ouvinte aos poucos.
Inaugurado pela enevoada Amanhãs Azuis, com sopros adicionais de Leo Couto (saxofone) e Rafael Jarcem (trompete), Sem Início Nem Fim diz a que veio logo nos primeiros minutos. São pinceladas instrumentais e poéticas que se revelam ao público em pequenas doses, lembrando o ritmo cadenciado de projetos como Walfredo Em Busca da Simbiose. É como um lento e inescapável desvendar de sensações, ritmos e vozes.
Se, por um lado, esse compasso vagaroso ajuda a ambientar o ouvinte ao registro, por outro, a ausência de ritmo pesa à medida que avançamos pelo disco. São faixas como Quantas Vidas e Aqui Dentro que, mesmo trabalhadas com incontestável esmero, pouco avançam criativamente, seguindo o mesmo direcionamento apontado em Fora do Ar e outras composições espalhadas pelo grupo durante a primeira metade da obra.
Não por acaso, prevalece nos momentos em que o quarteto mais se distancia desse resultado a passagem para algumas das melhores faixas do disco. Em Deixa Eu, por exemplo, é a atmosfera latina e o flerte com o reggae que destacam o romantismo dos versos. Já em Cores, chama a atenção o criativo diálogo com a MPB tradicional e a potência das vozes, mas que em nenhum momento exclui o uso de componentes sintéticos.
Nada que prepare o ouvinte para a chegada de Nosso Quadro. Faixa que mais se distancia do restante da obra, a composição escancara a grandeza do grupo em estúdio. São pouco mais de três minutos em que a instrumentação orgânica prepara o terreno para a construção dos versos que se projetam com uma força poucas vezes antes percebida em Sem Início Nem Fim. “Eu amo você”, confessa Bastos a plenos pulmões.
Interessante notar que, mesmo distinta, Nosso Quadro em nenhum momento rompe com o restante da obra, destacando a produção atenta e homogênea de Gabriel Olivieri (Fernando Motta, Eliminadorzinho). É como se tudo orbitasse um universo próprio do grupo paulista. Composições que talvez custem a encantar logo em uma primeira audição, mas que fascinam e revelam diferentes nuances a cada regresso do ouvinte.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.