Ano: 2026
Selo: Seloki Records
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Varanda e Pluma
Ouça: Casos de Colômbia e Quem Nunca Quis Demais
Ano: 2026
Selo: Seloki Records
Gênero: Indie Rock
Para quem gosta de: Varanda e Pluma
Ouça: Casos de Colômbia e Quem Nunca Quis Demais
A imagem do globo espelhado que ilustra a capa de Julieta (2025, Seloki Records), repleta de fotografias e cenas aleatórias, ajuda a entender o universo criativo proposto no primeiro trabalho de estúdio do Julieta Social. Nascido de um processo colaborativo, com diferentes convidados espalhados em cada uma das 11 composições, o registro destaca o aspecto exploratório do material sem nunca corromper o tema central.
Conceitualmente inspirado em um fim de semana na vida de um jovem comum, o álbum vai da euforia da sexta-feira à contemplação, da madrugada à suspensão do tempo, encerrando em um encontro afetivo e coletivo ao amanhecer. São canções que tratam sobre incertezas, acolhimento e dor, enquanto refletem momentos específicos da vida dos próprios membros da banda, caso de Rafael Bastos (voz e composição), João Durão (violão e composição), Rodrigo Mattos (bateria) e o músico Rubens Adati (guitarra e produção).
A questão é que essa narrativa parece muito mais como um argumento posterior para justificar os rumos da obra do que algo verdadeiramente orgânico. Exemplo disso fica bastante evidente na mudança de tom em Como Te Dizer. Enquanto a porção inicial do disco percorre um ambiente escuro, flertando com o rock nova-iorquino dos anos 2000, o pós-punk e o dream pop, o brusco diálogo com o funk bagunça o material.
Embora parta de uma abordagem desequilibrada, com a banda encaixando canções incompatíveis como a solar Rubbish Shuffle (Por Favor Não Me Abandone Mais) e a soturna Fome, o grupo nunca baixa a régua do trabalho. Da construção dos arranjos às letras hipnóticas, difícil não se deixar conduzir pelo material. É como uma aventura noturna, por vezes confusa e repleta de ideias tortas, porém totalmente inescapável.
Em Casos da Colômbia, por exemplo, são guitarras, batidas e vozes urgentes, catapultando o ouvinte para dentro do álbum. Já em Quem Nunca Quis Demais, surgem ambientações labirínticas que apontam para o Radiohead da fase In Rainbows (2007). Minutos à frente, em Astronauta, a voz parcialmente submersa e os arranjos sintetizados remetem à obra dos Strokes sem necessariamente corromper a identidade da banda.
Mesmo com excessos e desvios que fragilizam a ideia de unidade da obra, o disco se sustenta justamente pela disposição em testar caminhos, aceitar fricções e se permitir errar. Como álbum de estreia, Julieta cumpre com a função de mapear possibilidades e tensionar referências sem a obrigação de uma síntese imediata. Há insegurança, mas também curiosidade e entrega, componentes que mantêm o repertório do trabalho em constante movimento e o próprio grupo em um permanente processo de expansão criativa.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.