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Crítica

Kaatayra

: "Caminhos de Água"

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Black Metal, Folk, Avant-Garde Metal

Para quem gosta de: Vauruvã e Antropoceno

Ouça: Rio Sem Nome e Caminhos de Água

8.5
8.5

Kaatayra: “Caminhos de Água”

Ano: 2026

Selo: Independente

Gênero: Black Metal, Folk, Avant-Garde Metal

Para quem gosta de: Vauruvã e Antropoceno

Ouça: Rio Sem Nome e Caminhos de Água

/ Por: Cleber Facchi 08/05/2026

A mudança de direção iniciada em Inpariquipê (2021) ganha novo desdobramento em Caminhos de Água (2026, Independente). Primeiro álbum de inéditas de Caio Lemos com o Kaatayra em cinco anos, o registro deixa de lado a atmosfera soturna de obras como Toda História pela Frente (2020) para destacar o caráter exploratório e o interesse do instrumentista brasilense pela música de vanguarda e pelos ritmos regionais.

Com a água como elemento central, o trabalho se inicia com uma pergunta lançada por Dona Maria, avó de Lemos: “De onde vem o Rio Preto?”. A partir desse processo investigatório, o músico se aventura em meio a corredeiras sonoras, momentos de intensa experimentação e versos sempre consumidos por inquietações existenciais. É como um campo aberto às possibilidades, conceito que move a produção do instrumentista.

A diferença está no refinamento estético, consistência e maior controle criativo do brasiliense. Em Rio Sem Nome, por exemplo, perceba como Lemos equilibra as tensões expressas na voz gutural com a suavidade dos arranjos. São estruturas contrastantes, conceito que tem sido explorado desde a estreia com No Ruidar da Mata que Mirra (2019), porém, partindo de um direcionamento sonoro muito mais preciso e detalhista.

Entretanto, para além do apuro técnico, prevalece na maior vulnerabilidade de Lemos o grande diferencial de Caminhos de Água. “Eu esqueci como assobiar meu nome, e eu caio em tristeza”, confessa na faixa-título do disco. Encorpada pelas vozes de A. Lemos, sobrinha do artista, a canção usa a natureza como um guia simbólico em um processo de reconstrução emocional e afetiva, evidenciando a sensibilidade do material.

A própria música de encerramento do trabalho, Remanso de Maria, dedicada à avó que faleceu durante o processo de gravação do registro, contribui para esse resultado. Claro que isso não interfere na entrega de músicas marcadas pela ferocidade de Lemos. É o caso de Águas Passadas, canção que destaca as tensões instrumentais, líricas e rítmicas da obra, levando o repertório de Caminhos de Água para outras direções.

Nascido de um processo de imersão do artista depois de um mergulho nas águas de Rio Preto, em Goiás, Caminhos de Água talvez não seja um trabalho tão transgressor quanto o registro que o antecede, porém, organiza melhor suas ideias. Rodeado por entes queridos e pelo som úmido de corredeiras, Lemos garante ao público uma obra marcada pela complexidade dos elementos, mas que fascina pela força das emoções.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.