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Crítica

Lindstrøm

: "Sirius Syntoms"

Ano: 2025

Selo: Feedelity

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Todd Terje e Prins Thomas

Ouça: Cirkl e Solveggen! Nå!

7.7
7.7

Lindstrøm: “Sirius Syntoms”

Ano: 2025

Selo: Feedelity

Gênero: Eletrônica

Para quem gosta de: Todd Terje e Prins Thomas

Ouça: Cirkl e Solveggen! Nå!

/ Por: Cleber Facchi 13/01/2026

Sirius Syntoms (2025, Feedelity) marca o retorno de Hans-Peter Lindstrøm a um estilo que ele domina como poucos: o space disco. Exemplo disso fica bastante evidente na introdutória Cirkl. São pouco mais de cinco minutos em que o produtor norueguês resgata a essência de registros como Where You Go I Go Too (2008), porém, utilizando um direcionamento menos atmosférico, dinâmico e estruturalmente orientado ao pop.

Essa mesma fluidez acaba se refletindo na faixa seguinte, Thousand Island Man. Com maior destaque para as batidas, a canção rapidamente conduz o ouvinte em direção às pistas. Nada que diminua a presença dos sintetizadores. É como se Lindstrøm fosse ao encontro de Todd Terje e outros produtores do gênero, efeito direto do som airado dos teclados que se completa pelo uso de ganchos melódicos e altamente pegajosos.

Com a chegada de Moo)n, o artista preserva parte dos elementos incorporados nas duas composições que a antecedem, como os sintetizadores destacados, porém investe em uma abordagem reducionista. É como se cada elemento da canção fosse revelado ao público em uma medida própria de tempo. Inserções sutis que destacam a capacidade do produtor em capturar a atenção do público mesmo sem grandes esforços.

Claro que esse reducionismo nem sempre funciona. Em Sharing An Orange (With Omar S On The Train From Minehead To London), a economia excessiva faz com que a faixa pareça mais um interlúdio do que parte expressiva do disco. Nada que These Are A Few Of My Favorite Strings, com suas cordas sintéticas, batidas e linha de baixo em destaque, não dê conta de solucionar, trazendo o trabalho de volta aos eixos.

Mais do que um sopro de frescor, a canção ainda abre passagem para uma das principais faixas do disco, Solveggen! Nå!. Com bateria e baixo em primeiro plano, a música aos poucos detalha uma colorida soma de sintetizadores, efeitos e melodias que buscam emular a voz humana. Um lento desvendar de sensações que, mesmo orientado às pistas, transcende pela musicalidade cósmica que embala a obra do artista norueguês.

Passado esse momento de maior contemplação, Sirius Syntoms pontua o registro de forma deliciosamente dançante. Com um pé na década de 1970, a canção é tanto uma viagem em direção ao passado como um exercício estilístico que destaca a versatilidade de Lindstrøm em estúdio. Um fechamento inteligente e fiel às origens do produtor que continua a transportar o cosmos para as pistas de maneira sempre despojada.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.