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Crítica

Luiz Barata

: "Eterno Menino Levado"

Ano: 2026

Selo: Torcicolo

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Thalin e Matchola

Ouça: Bomba Patch, Eu Quero Ver Me Pagar Bem e Julia

8.2
8.2

Luiz Barata: “Eterno Menino Levado”

Ano: 2026

Selo: Torcicolo

Gênero: Rap

Para quem gosta de: Thalin e Matchola

Ouça: Bomba Patch, Eu Quero Ver Me Pagar Bem e Julia

/ Por: Cleber Facchi 23/01/2026

É impressionante o poder de síntese de Luiz Barata em Eterno Menino Levado (2026, Torcicolo). Sequência ao material entregue no ainda recente Pragas Urbanas (2025), o trabalho de oito faixas e quase 18 minutos de duração destaca a capacidade do rapper carioca em mergulhar nas próprias inquietações, desenvolver narrativas urbanas e confessar sentimentos de maneira complexa mesmo em um curto intervalo de tempo.

São canções que preservam apenas o que há de essencial dentro do objeto temático explorado pelo artista. Frações poéticas que tratam de questões complicadas, como acesso, repressão e conflitos típicos de jovens adultos, porém, partindo de um quase olhar inocente. É como se Barata preservasse a essência da infância. Crescer sem nunca abandonar o lúdico, fazendo da pirraça um ato de resistência à vida adulta pragmática.

E como ele faz isso bem. Em Cocoroco, por exemplo, são repetições silábicas que se projetam de forma tão ritmada quanto cíclica, como uma cantiga infantil dentro da lógica adulta. Já em Coisas, minutos à frente, é a materialidade confusa, o consumo e o atravessamento de ideias que movem as rimas. Mesmo quando fala de amor, como em Julia, Barata mantém firme a leveza do registro e a elaboração de versos sempre visuais.

Claro que isso não interfere na entrega de faixas que rompem com essa ambientação nostálgica do álbum para acertar o ouvinte de maneira bastante direta. É o caso de Eu Quero Ver Me Pagar Bem. Completa pela participação do músico Gustavo Neves, a canção que trata sobre a lógica das redes sociais e a indústria da música leva o trabalho para outras direções sem necessariamente parecer deslocada dentro do material.

Parte desse resultado vem da produção caprichosa de Nitcho. Parceiro de Barata durante toda a execução do trabalho, o produtor ajuda o rapper a amarrar cada uma das canções com excelência. Do momento em que tem início, na brasilidade sutil de MPBOY, passando pela fluidez de Bomba Patch, notável é o cuidado na elaboração das batidas, desenvolvimento das bases e sempre meticuloso catálogo de samples do disco.

Mesmo quando começa a perder fôlego, após Eu Quero Ver Me Pagar Bem, e até sofra de um encerramento abrupto, Eterno Menino Levado mantém firme o detalhamento até os minutos finais. São delicadas camadas instrumentais e batidas precisas que, em conjunto com a consistência das rimas, destacam a maturidade de um artista que entende crescer como um gesto de preservação emocional e poética da própria essência.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.