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Crítica

Modest Mouse

: "An Eraser And A Maze"

Ano: 2026

Selo: Glacial Pace Recordings

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Built To Spill e Spoon

Ouça: Third Side of the Moon e Impossible Somedays

7.3
7.3

Modest Mouse: “An Eraser And A Maze”

Ano: 2026

Selo: Glacial Pace Recordings

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Built To Spill e Spoon

Ouça: Third Side of the Moon e Impossible Somedays

/ Por: Cleber Facchi 21/07/2026

Primeiro trabalho de inéditas do Modest Mouse desde a morte do baterista e membro fundador Jeremiah Green, An Eraser And A Maze (2026, Glacial Pace) mostra uma banda sóbria, ainda que potente. Com Isaac Brock como o único integrante original, o grupo retorna ao formato independente, abandona a plasticidade explícita no antecessor The Golden Casket (2021) e garante ao público o melhor álbum do projeto em anos.

Enquanto os versos giram em torno da relação com a morte, luto, memória, passagem do tempo e o peso da própria trajetória artística, Brock e seus companheiros de banda fazem o que sabem de melhor. São bases melódicas e batidas destacadas que se abrem para a sobreposição das guitarras. Instantes em que o grupo de Washington acena para o passado sem necessariamente se repetir ou parecer acomodado em estúdio.

A própria Picking Dragons’ Pockets, logo na abertura do trabalho, funciona como uma clara representação desse resultado, com Brock e seus companheiros investindo em uma música crescente e inescapável, como uma composição perdida do cultuado Good News for People Who Love Bad News (2004). E ela está longe de ser a única. Durante toda a execução do disco, sobram faixas que destacam o lado acessível da banda.

Em Life’s a Dream, por exemplo, é a combinação entre o riff da guitarra e os versos cíclicos que gruda logo na primeira audição. Já em Impossible Somedays, no encerramento do trabalho, é a letra contemplativa e a voz sintetizada que levam o som do Modest Mouse para outras direções. Nada que prepare o ouvinte para a apoteótica Third Side Of The Moon, faixa que resgata a essência de obras como The Lonesome Crowded West (1997) e The Moon & Antarctica (2000), destacando a potência criativa e entrega emocional de Brock.

Mesmo repleto de boas canções, An Eraser And A Maze sofre do principal problema de outros registros do Modest Mouse: o volume exagerado de composições. Salvo exceções, como a enérgica Song About Nothing, toda a segunda metade do disco parece menos inspirada e confusa do que a porção inicial. Surgem ainda músicas como Rotten Fruit, um pop rock cantarolável que parece totalmente deslocado do restante da obra.

Ainda assim, o Modest Mouse consegue ser muito mais dinâmico e coeso do que em obras como Strangers to Ourselves (2015). Coproduzido em parceria com nomes como Jacknife Lee, Justin Raisen e Suzy Shin, An Eraser And A Maze destaca o esforço de Brock em preservar a essência dos antigos registros sem tropeçar no conforto. Uma obra nascida de um momento de intensa dor, mas que nunca se deixa consumir por isso.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.