Ano: 2026
Selo: Mataderos
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Urias e Anitta
Ouça: Body Type e Polizia
Ano: 2026
Selo: Mataderos
Gênero: Pop
Para quem gosta de: Urias e Anitta
Ouça: Body Type e Polizia
A grande beleza do trabalho de Pabllo Vittar sempre se estabeleceu na combinação de três elementos: o carisma, a habilidade da drag queen em incorporar ritmos regionais à música pop e os jogos de palavras marcados pelo duplo sentido. Mas o que acontece quando alguns desses componentes são arrancados da obra da maranhense? A resposta para isso você encontra no repertório de Lost In Lust (2026, Mataderos).
Primeiro registro da artista pensado para o mercado internacional, o sucessor de Batidão Tropical Vol. 2 (2024) deixa de lado a intensa relação com o forró, o brega e os ritmos explorados no Norte e Nordeste do país para dialogar com a produção eletrônica. Ainda que elementos genuinamente brasileiros reverberem em faixas como Bad Good e Carnaval, prevalece no eletropop, no trance e no hyperpop a força do trabalho.
É como se drag queen, sempre acompanhada por produtores como Rodrigo Gorky, PZZS, S4tan e Carlos do Complexo, avançasse em direção ao mesmo território criativo de Slayyyter, Kim Petras e outras artistas do pop internacional, porém preservando traços da própria identidade criativa. É difícil ouvir músicas como Body Type, colaboração com Urias, e não ser prontamente seduzido pela carismática cantora maranhense.
O problema acaba ficando por conta da construção dos versos de Lost In Lust. Ao abandonar o português e investir em um trabalho bilíngue, cantado em inglês e espanhol, Vittar sacrifica a espontaneidade e o bom humor dos registros anteriores. São canções ancoradas em rimas extremamente básicas ou que se apoiam em frases de efeito que tratam como iniciante uma artista que contabiliza mais de uma década de carreira.
Exemplo disso fica bastante evidente em Friends With, música que soa como um cartão de visita da cantora para ouvintes estrangeiros, cita a relação com Madonna, mas parece uma versão expandida e genérica de um desafio final de RuPaul’s Drag Race, quando as competidoras têm alguns segundos em uma parceria com RuPaul para se apresentar. Falta identidade, falta humor, falta carisma, falta leveza, falta Pabllo Vittar.
Não por acaso, quanto mais se distancia desse resultado quase asséptico, mais a artista garante ao público algumas das melhores faixas do disco. Do encontro com Mahmood, em Polizia, passando pelos excessos de Rockstar, junto de Villano Antillano, sobram momentos em que a cantora deixa transbordar o exagero e a mesma fluidez de estilos que fizeram de Vittar um dos nomes mais importantes do pop nacional. Pena que esses instantes de incontestável acerto da maranhense não dão conta de sustentar um álbum por completo.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.