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Crítica

Pupillo

: "Pupillo"

Ano: 2026

Selo: Amor In Sound

Gênero: MPB, Dub, Eletrônica

Para quem gosta de: Alberto Continentino e Céu

Ouça: O Sopro de Naná e Fervendo o Chão com Amaro

8.3
8.3

Pupillo: “Pupillo”

Ano: 2026

Selo: Amor In Sound

Gênero: MPB, Dub, Eletrônica

Para quem gosta de: Alberto Continentino e Céu

Ouça: O Sopro de Naná e Fervendo o Chão com Amaro

/ Por: Cleber Facchi 11/03/2026

De veteranos da música brasileira, como Gal Costa e Erasmo Carlos, a nomes em ascensão, caso de Edgar e Assucena, sobram artistas que encontraram na produção de Pupillo um importante alicerce. E não poderia ser diferente. Em atuação desde a década de 1990, quando integrou o grupo Nação Zumbi, o percussionista acumula experiência, uma extensa lista de registros em estúdio e um invejável time de parceiros criativos.

Satisfatório perceber no primeiro disco do artista em carreira solo uma combinação natural de todos esses elementos. Coproduzido em parceria com Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Jack Johnson),o álbum destaca a capacidade de Pupillo em revelar diferentes paisagens instrumentais e percorrer os mais variados campos da música brasileira e internacional sem necessariamente fazer disso o estímulo para uma obra confusa.

São canções que vão do forró ao trip-hop, do jazz à eletrônica, em uma delirante combinação de estilos que sintetiza tudo aquilo que Pupillo tem explorado em mais de três décadas de carreira. A própria sequência inicial do disco, com faixas contrastantes como Forró no Asfalto e Bem Bom, destaca o caráter exploratório do artista que ainda estabelece no domínio da bateria um importante componente de condução do álbum.

Outro elemento bastante característico do trabalho diz respeito ao uso das vozes. Mesmo acompanhado de artistas como Céu, Agnes Nunes e Carminho, Pupillo se abstém da palavra para tratar do canto como um instrumento complementar. O resultado desse processo está na entrega de composições que, vez ou outra, partilham estruturas excessivamente similares, como em Fealhá e Navegando os Novos Tempos, mas que convencem pelo capricho na elaboração dos arranjos e evidente homogeneidade que conduz o registro.

Embora partilhe de uma abordagem consistente, destacando o compromisso estético de Pupillo, prevalece nos momentos de maior ruptura a passagem para algumas das melhores músicas do registro. Em O Sopro de Naná, por exemplo, é a percussão que celebra a obra de Naná Vasconcellos e os scratches retorcidos de The Gaslamp Killer que movimentam a composição. Já em Fervendo o chão, com Amaro, em parceria com Amaro Freitas, é o piano quase percussivo do conterrâneo recifense que tensiona o trabalho do produtor.

Nesse sentido, o trabalho funciona tanto como um autorretrato sonoro, bem representado pela imagem de capa, como um laboratório criativo. Ao revisitar referências que moldaram sua trajetória e colocá-las em diálogo com novos parceiros criativos, diferentes ritmos e texturas, Pupillo celebra a própria história sem se acomodar. Há momentos de repetição estrutural e certo controle estético que evita possíveis riscos, mas o impulso em se desafiar mantém o repertório vivo, fluido e completamente instigante até os minutos finais.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.