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Crítica

Purity Ring

: "Purity Ring"

Ano: 2025

Selo: The Fellowship

Gênero: Pop, Electropop

Para quem gosta de: CHVRCHES e Grimes

Ouça: Many Lives, Place Of My Own e Imanocean

7.6
7.6

Purity Ring: “Purtity Ring”

Ano: 2025

Selo: The Fellowship

Gênero: Pop, Electropop

Para quem gosta de: CHVRCHES e Grimes

Ouça: Many Lives, Place Of My Own e Imanocean

/ Por: Cleber Facchi 05/01/2026

Mesmo longe de repetir a boa forma explícita no introdutório Shrines (2012), há tempos o Purity Ring não parecia tão potente quanto no quarto e mais recente álbum de estúdio. Autointitulado, o disco que busca inspiração em RPGs japoneses, como Final Fantasy e NieR: Automata, destaca a capacidade dos parceiros Corin Roddick e Megan James em transportar o ouvinte para um mundo mágico, íntimo dos dois artistas.

A própria sequência de abertura, formada por Relict e Many Lives, torna isso bastante explícito. Exatos seis minutos em que a dupla canadense se aventura na elaboração de um repertório que tende ao pop, porém, preservando o caráter etéreo que há tempos embala as criações de Roddick e James. Um lento desvendar de sensações, ritmos, melodias e vozes que destacam o evidente comprometimento estético do Purity Ring.

A diferença em relação aos últimos trabalhos da dupla, como Another Eternity (2015) e Womb (2020), está no forte caráter exploratório do presente registro. Em Between You And Shadows, por exemplo, Roddick e James deixam de lado o pop atmosférico que orienta o projeto para abraçar as batidas do drum and bass de maneira única. Já em The Long Night, é o flerte com a música trance que embala o projeto canadense.

E isso é apenas uma fração dos diferentes percursos criativos percorridos pela dupla ao longo do trabalho. Uma das primeiras faixas do disco a serem reveladas ao público, Imanocean deixa de lado o acabamento eletrônico para utilizar uma abordagem orgânica, tocando de leve no dream pop. Surgem ainda criações como a curiosa MJ Odyssey, uma balada minimalista que rompe com os excessos para destacar os pianos.

Claro que esse esforço em provar novas sonoridades em nenhum momento interfere no desenvolvimento de músicas ainda íntimas dos antigos trabalhos da banda. É o caso de Place Of My Own. Do uso das vozes ao encaixe das batidas, cada fragmento da canção cresce como uma extensão natural de tudo aquilo que a dupla canadense tem incorporado criativamente desde a estreia com Shrines e seus posteriores registros.

Ainda que esse impulso exploratório devolva fôlego à banda, o disco jamais propõe uma ruptura completa, com a dupla preferindo circular em territórios já conhecidos. Em meio aos bons momentos, surgem faixas menos inspiradas, como Red The Sunrise e Broken Well, que repetem fórmulas e diluem parte do impacto do material. São desvios que não comprometem a obra, mas expõem os limites desse retorno à boa forma.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.