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Ano: 2024

Selo: Sam Music

Gênero: Pop Rock

Para quem gosta de: Skank e Maglore

Ouça: Não Tenha Dó e Segue o Jogo

7.5
7.5

Samuel Rosa: “Rosa”

Ano: 2024

Selo: Sam Music

Gênero: Pop Rock

Para quem gosta de: Skank e Maglore

Ouça: Não Tenha Dó e Segue o Jogo

/ Por: Cleber Facchi 03/07/2024

Durante as mais de três décadas em que esteve à frente do grupo mineiro Skank, Samuel Rosa embalou casais de namorados, consolou corações partidos e criou personagens musicais que permanecem vivos nas cabeças de milhões de brasileiros. Satisfatório perceber em Rosa (2024, Sam Music), primeiro álbum do cantor e compositor belo-horizontino em carreira solo, um repertório que não apenas segue de onde o instrumentista parou com sua antiga banda no último ano, como serve de reforço a esse mesmo resultado.

Talvez decepcionante para quem esperava por uma profunda ruptura na obra do artista, o álbum de dez faixas é um trabalho que conforta sem necessariamente parecer preguiçoso. Acompanhado do produtor Renato Cipriano e os músicos Doca Rolim (violão e guitarra), Alexandre Mourão (contrabaixo), Marcelo Dai (bateria e percussão) e Pedro Kremer (teclados), Rosa traz de volta as mesmas temáticas que fizeram dele conhecido no início da década de 1990, porém, partindo de um processo de simplificação que preserva a ideia central e sentimentos detalhados dentro de cada canção para estreitar laços com o próprio ouvinte.

São as mesmas histórias de amor, corações partidos e personagens, entretanto, observados a partir de um ponto de vista diferente, destacando uma sobriedade poucas vezes antes percebida na obra do compositor mineiro. “Lembro bem de quando começamos / Parecia que ia até durar … Acho que amor é assim mesmo / Tem início e hora pra acabar“, canta em Segue o Jogo, composição que evoca a produção eletrônica de Dudu Marote, parceiro de longa data do artista, porém, estabelece nos versos que tratam com delicadeza sobre o término de um relacionamento uma metáfora sutil para o encerramento das atividades do Skank.

É como se livre dos romances idealizados dos antigos trabalhos, Rosa abrisse passagem para um novo e delicado território criativo. “Você bem que acostumou / Com o meu implorar / Você disfarça mas gostou / Do meu sofrer“, detalha em Não Tenha Dó, composição que avança sobre os arranjos de cordas do músico canadense Owen Pallett (Arcade Fire, Lana Del Rey), evidenciando um equilíbrio agridoce, conceito que se reflete até os minutos finais do registro, em Palma da Mão. “A luz do dia revelou / O vazio tão próximo de onde estou / Ofusca meus olhos mesmo assim / Eu vejo o que de você sobrou em mim“, canta o mineiro.

Essa mesma sensibilidade na construção dos versos acaba se refletindo no tratamento dado aos arranjos. Próximo e ao mesmo tempo distante de tudo aquilo que havia testado com o Skank, Rosa se aventura na formação de um repertório marcado pela instrumentação reducionista, destacando a forte relação com a música brasileira. São ecos de Erasmo Carlos e Jorge Ben Jor, mas que em nenhum momento distanciam o artista de outros estilos que sempre lhe foram tão preciosos ao longo da carreira, como o raggae e o pop.

Dessa forma, dividido entre a comodidade e o sutil desejo em provar de novas possibilidades, Rosa garante ao público um registro equilibrado. São composições que se projetam em um movimento seguro, ainda íntimas de tudo aquilo que o cantor havia testado em sua antiga banda, mas que em nenhum momento deixam de encantar ouvinte. Do momento em que tem início, no pop rock descompromissado de Me Dê Você, passando pela doce melancolia que se instala em canções como Aquela Hora e Rio Dentro do Mar, cada mínimo fragmento do disco destaca a habilidade do músico em convencer pela força das emoções.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.