Ano: 2026
Selo: 1/4 Compañía Discográfica
Gênero: Indie Rock, Eletrônica
Para quem gosta de: Sweet Trip e Paira
Ouça: Escritorio, Enero Cuervo e Todo Salió Bien
Ano: 2026
Selo: 1/4 Compañía Discográfica
Gênero: Indie Rock, Eletrônica
Para quem gosta de: Sweet Trip e Paira
Ouça: Escritorio, Enero Cuervo e Todo Salió Bien
Todo Salió Bien En La Sencilla Villa Quién (2026, 1/4 Compañía Discográfica), estreia de Esteban Herrera como Sueter7, é uma obra sobre comunicação. Inspirado na relação entre dois radioamadores, o registro parte desse distanciamento físico e emocional para refletir sobre sonhos, expectativas e conflitos em um delicado exercício de amadurecimento sentimental que embala de forma lúdica a experiência do ouvinte.
Produzido e gravado pelo artista argentino em um intervalo de três anos, o trabalho de oito faixas diz a que veio logo na introdutória Escritorio. São pouco menos de sete minutos em que Herrera apresenta parte dos elementos que serão incorporados ao longo do disco, como os versos confessionais, o uso fragmentado de samples e a base instrumental que transita entre a eletrônica e o rock em uma abordagem sempre ruidosa.
São ecos de artistas como Sweet Trip, The Postal Service e Aphex Twin, porém dentro da lógica particular de Herrera. Exemplo disso fica bastante evidente na música Enero Cuervo. Enquanto as linhas de guitarras, sempre melódicas, flertam com o midwest emo e a herança de veteranos como American Football, batidas eletrônicas e sintetizadores cósmicos levam o trabalho para outras direções, ampliando os limites da obra.
Mais do que garantir respostas, Herrera parece interessado nas perguntas e em testar novas possibilidades em estúdio, fazendo de Todo Salió Bien en la Sencilla Villa Quién um laboratório emocional, lírico e sonoro. A própria canção de encerramento do registro, Todo Salió Bien (Carta para un amigo), torna isso explícito, com o músico brincando com a lenta sobreposição dos elementos em um intervalo de quase dez minutos.
Mesmo quando investe em composições mais imediatas, como Confluencias, Herrera não economiza nos detalhes. São delicadas camadas de sintetizadores e melodias pegajosas que complementam os versos, tensionando e confortando na mesma intensidade. “Talvez seja cedo demais, mas / Qual o sentido navegar com medo de chegar / Onde a água é clara e o ar é calmo?”, questiona o compositor no decorrer da faixa.
Dessa forma, ainda que o disco pareça colado à sonoridade e à produção de veteranos da indietronica, Herrera compensa essa dependência estética com uma sensibilidade poética que eleva e expande os limites do trabalho. É essa assinatura lírica que impede o registro de virar um mero pastiche nostálgico, transformando texturas digitais em um manifesto intimista que dialoga de forma imediata com o ouvinte.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.