Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Indie
Para quem gosta de: MJ Lenderman e Alex G
Ouça: Billy Come Back e The Kid with the Crown
Ano: 2026
Selo: Matador
Gênero: Indie
Para quem gosta de: MJ Lenderman e Alex G
Ouça: Billy Come Back e The Kid with the Crown
Concebido na estrada, enquanto Nate Amos excursionava com o Water From Your Eyes, The Singer In My Band (2026), novo álbum do This Is Lorelei, é uma obra em movimento. De atmosfera estradeira, o registro deixa de lado o teor nostálgico de Holo Boy (2025), trabalho marcado pelo resgate de antigas composições, para explorar um novo universo criativo, diferentes narrativas e, principalmente, personagens mundanos.
Em Billy Came Back, por exemplo, o músico se apoia na história de uma figura autodestrutiva, quase mítica, como um exercício poético que transita entre a descrição e a metáfora sutil, com Amos refletido na própria criação. “Billy está de volta, cantando junto com a música”, revela o artista. E Billy está longe de ser o único. A cada nova composição, o artista mergulha em um novo personagem, seus conflitos e tormentos pessoais.
“Eu não vejo o sol / Ei, Sarah, você poderia me dizer por quê?”, indaga o eu lírico em Hey Sarah Is It Gonna Rain Forever?, canção que usa desses questionamentos à personagem que dá nome à faixa para expressar um sentimento profundo de estagnação e angústia existencial diante de uma dor que parece interminável. É como se Amos partisse do diálogo com essas figuras reais e imaginadas para algo ainda mais complexo.
Embora pontuado por questões existenciais e transtornos que se materializam na construção de diferentes personagens, The Singer In My Band jamais pesa sobre o ouvinte. São composições despojadas, por vezes simplistas em excesso, mas totalmente inescapáveis. Com o violão em primeiro plano, o artista passeia por diferentes desdobramentos do country em uma proposta que universaliza as canções e fortalece os versos.
A própria I Will Eat My Heart in the Morning Light, logo na abertura do trabalho, parece apontar o caminho para o restante da obra. Claro que essa maior sutileza no acabamento dos arranjos não interfere na entrega de faixas ainda íntimas dos antigos registros do músico. Das guitarras que tomam conta de Oh No Now My à urgência de The Kid with the Crown, sobram momentos que ressaltam o lado enérgico e a fluidez de Amos.
Esse equilíbrio de forças garante ao público um registro que não necessariamente transgride ou estabelece grandes rupturas em relação aos antigos trabalhos do músico, mas convence pela coesão. Completo pelo banjo do pai e as vozes da irmã de Amos em diferentes composições, The Singer In My Band evidencia o lado emocional de um artista que, mesmo dono de um vasto repertório, ainda reserva algumas surpresas.
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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.