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Crítica

Twisted Teens

: "Blame The Clown"

Ano: 2026

Selo: Jazz Life

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Sharp Pins e MJ Lenderman

Ouça: Wild Connection, Is It Real? e 100 Bill Is Gone!

8.0
8.0

Twisted Teens: “Blame The Clown”

Ano: 2026

Selo: Jazz Life

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Sharp Pins e MJ Lenderman

Ouça: Wild Connection, Is It Real? e 100 Bill Is Gone!

/ Por: Cleber Facchi 16/03/2026

Parte da sempre curiosa cena de Nova Orleães, na Louisiana, Twisted Teens é um projeto encabeçado por Caspian Honeywell e RJ Santos que faz valer o título que carrega. Utilizando uma abordagem que mescla o garage punk ao som empoeirado do country por meio de uma guitarra pedal steel, o duo chega ao segundo álbum de estúdio, Blame The Clown (2026, Jazz Life), esbanjando bom humor e composições inescapáveis.

Sequência ao material entregue no homônimo disco de estreia da banda, lançado há dois anos, Blame The Clown diz a que veio logo nos primeiros minutos. Com Is It Real? como música de abertura, a dupla norte-americana mergulha em uma enérgica combinação de guitarras ruidosas, vozes ásperas e temáticas que, mesmo simples, parecem estruturadas para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição.

São canções que tratam sobre noites de excessos, cenas caóticas e versos tragicômicos que, de um jeito ou de outro, acabam sempre romantizando um estilo de vida errante. Não se trata de algo exatamente novo, afinal, muitos dos temas abordados em Blame The Clown foram testados no disco anterior. A diferença está na forma como a dupla potencializa suas virtudes, investindo em faixas cada vez mais diretas e acessíveis.

É como se Honeywell e Santos preservassem apenas a ideia central de cada canção, evitando excessos e investindo em narrativas que se revelam em poucos segundos. Composições que atravessam o folk/blues de veteranos como Lead Belly e Woody Guthrie, esbarram no protopunk dos Stooges e ainda ganham um toque de atualização ao incorporar a urgência explícita no som do Parquet Courts e outros nomes recentes.

Entretanto, mesmo que todos esses elementos sejam percebidos ao longo do registro, prevalece em Blame The Clown um completo desapego de fórmulas. Do country-punk-eletrizado de 100 Bill Is Gone!, passando pelo pop garageiro de Who Could It Be?, música que evoca o som urbano dos Strokes em início de carreira, sobram momentos em que a dupla se desafia criativamente, levando o trabalho para diferentes direções.

Ainda assim, é notável o equilíbrio de forças e a consistência da dupla durante toda a execução do álbum. Seja pela voz característica de Honeywell ou as pinceladas instrumentais de Santos, perceba como faixas contrastantes, como a barulhenta Wild Connection e a acústica White Hot Coal, parecem habitar o mesmo universo criativo. Um misto de ruído e tradição que naturalmente define a identidade do Twisted Teens.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.