Ano: 2026
Selo: Risco
Gênero: Música Clássica Contemporânea, Jazz
Para quem gosta de: Radiohead e Zé Manoel
Ouça: Toque N.3, Canto N.1 e Toque N.6
Ano: 2026
Selo: Risco
Gênero: Música Clássica Contemporânea, Jazz
Para quem gosta de: Radiohead e Zé Manoel
Ouça: Toque N.3, Canto N.1 e Toque N.6
Por mais fascinante que seja a experiência de ouvir os registros em estúdio de Vitor Araújo, é em cima do palco, durante os espetáculos ao vivo, que o músico pernambucano se revela por completo. Quase duas décadas após o lançamento de Toc – Ao Vivo No Teatro De Santa Isabel (2008), trabalho que o apresentou oficialmente, o compositor retorna ao mesmo formato de maneira ainda mais impactante com a entrega de Toró (2026, Risco), registro em que amplia os horizontes de possibilidades ao lado de diferentes parceiros.
Gravado ao vivo no Holland Festival de 2024, com Araújo acompanhado de vinte músicos e um espaço de apenas dois dias para os ensaios, Toró é uma obra de força avassaladora. Tal qual o fenômeno natural que dá nome ao disco, o trabalho gravado em colaboração com a orquestra sinfônica Metropole Orkest, sob a regência de Jacomo Bairos, atinge o ouvinte sem qualquer chance de escapatória, deixando-o encharcado.
O repertório não é novo, com Araújo resgatando as composição do colossal Levaguiã Terê (2016), porém, a frustração inicial desaparece por completo assim que percebemos as diferentes camadas e os acréscimos propostos pelo pianista. Enquanto o produtor Charles Tixier concede ao material um tempero eletrônico, o veterano Mauro Refosco, que já trabalhou com nomes como David Byrne, dá maior destaque à percussão.
Vem justamente dessa intensa combinação de elementos o estímulo para a entrega de músicas como Toque N.3. São pouco mais de oito minutos em que Araújo e seus parceiros oscilam entre o orgânico, o ritualístico e o sintético, como um novo olhar para aquilo que o artista pernambucano revelou dez anos atrás. Mesmo faixas antes discretas, como Toque N.2, ganham novo significado, com o pianista transformando um rádio em instrumento, marca das apresentações ao vivo do Radiohead para a eletrizante The National Anthem.
Embora impressionante do ponto de vista estrutural, com Araújo concedendo outras interpretações para o próprio repertório, a grande beleza de Toró se sustenta na interação e nas dinâmicas dos músicos em cima do palco. Exemplo disso é o que acontece em Toque N.6, canção de abertura serena, mas que se encerra de forma grandiosa e totalmente fluida, destacando a percussão que evoca mestres como Naná Vasconcelos.
Mesmo quando o piano do artista fala mais alto, como em Canto N.1, há sempre um componente de ruptura que leva o registro do músico pernambucano para outras direções. Dos atravessamentos sintéticos ao uso de elementos percussivos ou mesmo a guitarra de Felipe Pacheco Ventura, cada mínimo acréscimo faz com que até o ouvinte mais familiarizado com o trabalho de Araújo seja prontamente confrontado com o novo.
Ouça também:
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.