Ano: 2018
Selo: Matador Records
Gênero: Indie, Folk Rock
Para quem gosta de: Angel Olsen e Torres
Ouça: Addictions e Night Shift
Ano: 2018
Selo: Matador Records
Gênero: Indie, Folk Rock
Para quem gosta de: Angel Olsen e Torres
Ouça: Addictions e Night Shift
Você já teve a impressão de ser arrastado por uma avalanche de versos intimistas, angústia e dor? Mesmo que a libertação seja o produto final dessa experiência, não há como negar que essa talvez seja a principal sensação gerada pelo trabalho da cantora e compositora norte-americana Lucy Dacus. Composições centradas em desilusões amorosas, relacionamentos fracassados e tormentos típicos de qualquer indivíduo apaixonado. Um canto amargo que se projeta de forma essencialmente íntima de qualquer ouvinte, cuidado que se reflete desde a estreia da artista, com No Burden (2016), e cresce ainda mais em Historian (2018, Matador Records).
Nascido de um recente término de relacionamento da cantora, o trabalho produzido em parceria com o experiente Collin Pastore, colaborador desde o último disco, ganha forma aos poucos, sem pressa. São vozes limpas que se conectam diretamente ao minucioso acabamento acústico do disco. Camadas de doce sofrimento que vão do parcial silenciamento à completa explosão dos arranjos e vozes detalhadas ao final de cada composição.
É justamente esse esforço da cantora em fazer dos instantes finais das músicas um ponto de destaque que garante notoriedade ao trabalho. Perceba como grande parte do material produzido para o disco cresce de forma desmedida, como se mesmo derramada a solução de versos que servem de alicerce para a obra, Dacus e os parceiros de banda fossem além, mergulhando na formação de verdadeiros turbilhões emocionais, base para faixas como Night Shift, Next of Kin e Addictions.
Dentro desse cenário consumido pela dor, pontes instrumentais e melodias que crescem com intensidade, Dacus ocupa as pequenas brechas do registro com as próprias confissões. “Não sinto necessidade de perdoar, mas eu também posso / Mas deixe-me beijar seus lábios, então saberei o que sentiu“, canta logo nos primeiros minutos do disco, como um indicativo da incerteza, melancolia, apego e necessidade de seguir em frente que orienta o ouvinte durante toda a execução do trabalho.
Importante notar que mesmo consumido pela dor e sentimentos mais profundos de Dacus, Historian está longe de parecer uma obra egoica. Exemplo disso está na poderosa Yours & Mine. São pouco mais de cinco minutos em que a cantora norte-americana passeia por entre descritivos ambientes em chamas, gritos de protesto e agitação popular, como um retrato musicado do debate racial gerado em 2015, durante a série de manifestações de grupos negros em Baltimore, nos Estados Unidos.
Incapaz de ser absorvido em uma única audição, Historian parece pesar sobre o ouvinte em diversos momentos. Difícil não se sentir pressionado pela força das palavras e temas lentamente detalhados pela cantora durante toda a execução da obra. Um doloroso conjunto de ideias que se reflete tão logo o disco tem início, em Night Shift, e segue até o último fragmento poético da homônima faixa de encerramento, como se do universo apresentado pela artista em No Burden, Dacus fosse além.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.