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Críticas

Cardi B

: "Invasion of Privacy"

Ano: 2018

Selo: Atlantic

Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B

Para quem gosta de: Nick Minaj, Migos e SZA

Ouça: I Like It, I Do e Bodak Yellow

8.0
8.0

Resenha: “Invasion of Privacy”, Cardi B

Ano: 2018

Selo: Atlantic

Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B

Para quem gosta de: Nick Minaj, Migos e SZA

Ouça: I Like It, I Do e Bodak Yellow

/ Por: Cleber Facchi 12/04/2018

Tamanho sucesso e euforia em torno de Bodak Yellow poderiam facilmente sufocar a carreira de Cardi B, restringindo o trabalho da artista nova-iorquina ao clássico caso da uma personagem marcada pelo título de “one-hit wonder“. Satisfatório perceber nas canções de Invasion of Privacy (2018), primeiro álbum de estúdio e estreia em um selo de grande porte — a Atlantic Records —, um fino exercício de amadurecimento e formação da própria identidade artística da rapper.

Centrado na rima, como tudo aquilo que B vem produzindo desde a série Gangsta Bitch Music, o trabalho de 13 faixas delicadamente se esquiva de uma estrutura melódica para investir em versos densos, sempre voltados ao cotidiano da rapper. Uma poesia honesta e crua, própria da artista — ex-integrante de um reality show —, como uma fuga do material que vem sendo trabalhado por outras representantes do gênero. Não por acaso, Get Up 10 e Drip, parceria com os integrantes do Migos, foram justamente as canções escolhidas para inaugurar o álbum. Rimas secas espalhadas em uma base esquelética, como uma síntese do material que vem sendo explorado pela norte-americana desde os primeiros inventos em estúdio.

Dividida entre a ironia e a poesia descritiva, faixa após faixa, B se concentra em explorar diferentes personagens, caso de Bickenhead, conflitos particulares, como na já conhecida Be Careful, e toda a transformação pessoal que tem vivenciado nos últimos meses. Exemplo disso está em Money Bag, um ato de pura ostentação, como uma vitrine para diferentes marcas e pequenos excessos que se converte em música, reflexo da ascensão imediata por conta do sucesso de Bodak Yellow — “E eu estaciono meu caminhão Bentley na minha garagem Versace“.

Para além de uma estrutura previsível, curioso perceber no encontro com diferentes artistas um natural ponto de transformação para o álbum. São músicas como a romântica Ring, expositiva colaboração com Kehlani (“Devo ligar primeiro? / Não consigo decidir / Eu quero, mas tenho muito orgulho“), e a parceria com SZA, I Do (“Agora eu sou sua chefe, escrevo meu nome nos cheques“), em que a poesia da rapper se entrega ao uso de versos confessionais, ora sensíveis e acolhedores, ora lascivos e provocantes.

São justamente esses pequenos diálogos com colaboradores vindos de diferentes campos da música que aproximam o trabalho de um conceito ainda vez mais acessível, pop. Perfeita representação desse resultado está na dobradinha formada por Best Life e I Like It. De um lado, a leveza do soul-rap conduzido/manipulado por Chance The Rapper. No outro, a mistura latina dos versos lançados por Bad Bunny e J Balvin, princípio para uma das canções mais pegajosas do disco.

Completo pela presença de 21 Savage, em Bartier Cardi, e YG, na climática She Bad, além, claro, de um time seleto de produtores que inclui Benny Blanco, Frank Dukes e DJ Mustard, Invasion of Privacy cumpre todos os requisitos de uma típica obra de estreia, porém, se projeta de maneira incerta, como se a rapper ainda estivesse em busca da própria identidade. Ao mesmo tempo em que preserva a essência de Cardi B, perceba como cada composição parece transportar o ouvinte para um novo território, indicando o confesso esforço da rapper em se reinventar. Frações de uma obra em pleno processo de construção.

 

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.