Ano: 2025
Selo: Spazio Disponibile
Gênero: Eletrônica, Ambient Techno
Para quem gosta de: Shinichi Atobe e Skee Mask
Ouça: Manuark, Asterios e Aquateo
Ano: 2025
Selo: Spazio Disponibile
Gênero: Eletrônica, Ambient Techno
Para quem gosta de: Shinichi Atobe e Skee Mask
Ouça: Manuark, Asterios e Aquateo
Desde o início, Donato Dozzy e Neel nunca viram o Voices From The Lake como um projeto principal, mas uma extensão de seus trabalhos em carreira solo. Entretanto, o que a dupla italiana não poderia imaginar é que, passado o lançamento do homônimo disco de estreia, entregue em 2012, o longo intervalo de tempo e o completo fascínio do público fariam do cultuado registro um importante pilar do ambient techno recente.
Satisfatório perceber em II (2025, Spazio Disponibile), primeiro disco de inéditas da dupla em mais de uma década, o mesmo comprometimento estético e meticuloso processo de criação de Dozzy e Neel. Feito para ser absorvido aos poucos, sem pressa, o registro de dez canções se espalha em uma verdadeira cama de sensações, ritmos calculados e ambientações enevoadas que parecem pensadas para envolver o ouvinte.
São canções que, mesmo profundamente sintéticas, incorporam maquinações e elementos sensoriais que parecem transportar o ouvinte para dentro de uma floresta mágica. Exemplo disso fica bastante evidente em Manuark, faixa que transforma sintetizadores em cantos de pássaros e batidas no estalo seco de uma batida ritualística. Tudo é orgânico, vivo e sempre detalhista, como uma extensão natural do disco anterior.
A principal diferença em relação ao álbum que o antecede, com músicas que ultrapassavam os 16 minutos de duração, está no maior dinamismo e fino poder de síntese da dupla italiana. Ao mesmo tempo em que se projeta de maneira imersiva, transportando o ouvinte para um ambiente sinestésico, o uso direcionado das batidas e sintetizadores garante ao público uma obra concisa, rápida e repleta de canções quase imediatas.
Em Lotus Mist, por exemplo, perceba como Dozzy e Neel apresentam todos os elementos do projeto em um intervalo de apenas dois minutos. Mesmo quando investe em faixas mais extensas, como Asterios, a dupla mantém firme a fluidez das batidas e bases que, invariavelmente, tendem às pistas. A própria canção de abertura do disco, Eos, estabelece na abordagem crescente um indicativo claro do que ainda está por vir.
Essa mudança de dinâmica é justamente o que faz de II um registro que sobrevive para além das evidentes similaridades com o repertório entregue no trabalho anterior. É como se a dupla seguisse de onde parou há mais de uma década, efeito das ambientações labirínticas, batidas calculadas e melodias etéreas, contudo, utilizando dessa evidente fluidez como um necessário componente de renovação para a própria criação.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.