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Crítica

Sassy 009

: "Dreamer+"

Ano: 2026

Selo: Heaven-Sent / Pias

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Smerz e BEA1991

Ouça: Butterflies, Someone e Tell Me

6.8
6.8

Sassy 009: “Dreamer+”

Ano: 2026

Selo: Heaven-Sent / Pias

Gênero: Pop

Para quem gosta de: Smerz e BEA1991

Ouça: Butterflies, Someone e Tell Me

/ Por: Cleber Facchi 04/02/2026

A cena nórdica vive hoje um de seus períodos mais férteis. De Smerz à Erika de Casier, de Astrid Sonne à ML Buch, sobram artistas que têm se aventurado pelo pop de forma bastante particular, levando a música produzida na região para outras direções. Parte desse mesmo cenário cultural, Sunniva Lindgård, a Sassy 009, busca conquistar o próprio espaço com a produção do álbum Dreamer+ (2026, Heaven-Sent / Pias).

Primeiro trabalho de estúdio da cantora, compositora e produtora norueguesa, Dreamer+ é tanto uma obra que busca apresentar a música de Sassy 009 a uma nova parcela do público, como uma extensão de tudo aquilo que a artista havia incorporado em EPs como Kill Sassy 009 (2019) e Heart Ego (2021). Um curioso atravessamento de informações que, para o bem ou para o mal, orienta o repertório da musicista de Oslo.

Como indicado logo na introdutória Butterflies, Lindgård busca se aventurar pelo pop, o R&B e a eletrônica de maneira sempre fragmentada, dialogando com a estética dissociativa de outros exemplares do cenário nórdico. A diferença talvez esteja na busca da artista por um repertório menos etéreo, rompendo com as ambientações de nomes como Smerz e Fine para investir em uma abordagem mais física, crua e intensa.

Nesse sentido, Sassy 009 talvez esteja muito mais próxima do trabalho de Charli XCX e Kelela do que dos próprios conterrâneos da cena nórdica. Exemplo disso fica bastante evidente na força das batidas e uso das vozes em músicas como Someone e Edges, com a artista estreitando laços com as pistas. O problema é que Lindgård nunca se decide exatamente sobre que direção seguir em estúdio, tornando o álbum confuso.

Enquanto parte do disco destaca a fluidez das batidas, composições assinadas em parceria com diferentes colaboradores levam o material para outras direções, bagunçando os rumos da obra. São faixas como Tell Me, em parceria com Blood Orange, e Mirrors, em conjunto com Yunè Pinku, que, mesmo bem executadas, parecem pertencer muito mais aos próprios convidados do que ao universo sonoro criado por Sassy 009.

Partindo dessa abordagem, Dreamer+ talvez seja incapaz de garantir à Lindgård uma posição de destaque dentro da cena nórdica, porém evidencia o caráter exploratório e a capacidade da artista em transitar por diferentes territórios criativos. Do pop reducionista ao intenso diálogo com as pistas de dança, diversos são os caminhos percorridos por Sassy 009 em estúdio. Resta apenas saber como organizar todas essas ideias.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.