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Crítica

David Moore

: "Graze The Bell"

Ano: 2026

Selo: Rvng Intl.

Gênero: Música Ambiente, Clássico Contemporâneo

Para quem gosta de: Brian McBride e Ryuichi Sakamoto

Ouça: Offering, Pointe Nimbus e Then a Valley

8.0
8.0

David Moore: “Graze The Bell”

Ano: 2026

Selo: Rvng Intl.

Gênero: Música Ambiente, Clássico Contemporâneo

Para quem gosta de: Brian McBride e Ryuichi Sakamoto

Ouça: Offering, Pointe Nimbus e Then a Valley

/ Por: Cleber Facchi 19/02/2026

Compositor e pianista nova-iorquino, David Moore passou os últimos anos investindo em uma abordagem cada vez menos reducionista. E isso se reflete não apenas nos trabalhos com o Bing & Ruth, seu principal projeto, como nas criações com diferentes parceiros criativos, caso de Steve Gunn, em Let The Moon Be a Planet (2023), e Peter Silberman (The Antlers),com quem o artista contribui no paralelo Cowboy Sadness.

Apesar desse forte aspecto colaborativo vivido por Moore em sua fase mais recente, o instrumentista nunca deixou de compor e registrar as próprias criações. Vem justamente do esforço em resgatar esse repertório concebido de forma solitária o estímulo para Graze The Bell (2026, Rvng Intl.) Primeiro álbum do artista em carreira solo, o disco de oito faixas é tanto um regresso como um delicado exercício de expansão criativa.

Munido apenas de um piano Steinway D de 1987, Moore traz de volta a mesma atmosfera reducionista de obras como Tomorrow Was The Golden Age (2014), porém, partindo de uma abordagem ainda mais sutil, melancólica e intimista. São composições que, mesmo instrumentais, confessam sentimentos de maneira quase involuntária. É como se o artista, pela primeira vez, estivesse verdadeiramente exposto em estúdio.

A própria escolha de Then a Valley como composição de abertura torna isso bastante evidente. Enquanto os instantes iniciais da faixa apontam para o minimalismo de artistas como Ryuichi Sakamoto, a gradativa sobreposição das teclas cai como uma chuva comovente sobre o ouvinte. Pouco mais de seis minutos em que o pianista nova-iorquino se entrega por completo, preparando o terreno para o restante do material.

Não há nada de transgressor na maneira como Moore idealiza suas canções, entretanto, a maneira como o pianista revela delicadas paisagens emocionais convence o ouvinte sem dificuldades. Algumas canções, como Offering, são um pouco mais imediatas, se revelando por completo logo em uma primeira audição. Já outras, como Will We Be There e a própria música-título do trabalho, se articulam aos poucos, sem pressa.

Independentemente da direção percorrida, prevalece em Graze The Bell o caráter emocional. Instantes em que o pianista partilha da mesma simplicidade de Erik Satie, revelando faixas contemplativas, mas que em nenhum momento tendem ao sentimentalismo barato. Um delicado exercício criativo que se distancia dos excessos e parcerias geradas por Moore nos últimos anos para revelar um artista em sua forma mais pura.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.