Ano: 2026
Selo: Transgressive
Gênero: Art Pop
Para quem gosta de: ANOHNI e Lonnie Holley
Ouça: Laughter in Summer e Harbour
Ano: 2026
Selo: Transgressive
Gênero: Art Pop
Para quem gosta de: ANOHNI e Lonnie Holley
Ouça: Laughter in Summer e Harbour
Concebido em meio ao recente diagnóstico de demência de Beverly Glenn-Copeland, Laughter in Summer (2026, Transgressive) é uma celebração agridoce à memória, ao legado e à passagem do tempo. Terceiro e mais recente trabalho de estúdio do músico norte-americano, o álbum gravado em parceria com a própria companheira, Elizabeth Copeland, destaca a entrega sentimental do cantor redescoberto na última década.
Sequência ao material entregue em The Ones Ahead (2023), o álbum é tanto uma extensão do registro que o antecede como um olhar atento para os primeiros trabalhos do músico. Das nove canções que integram o disco, pelo menos cinco delas são reinterpretações de faixas recentes do artista ou mesmo composições vindas do cultuado Keyboard Fantasies (1986), obra que revelou o cantor à uma nova parcela de ouvintes.
Entretanto, o grande diferencial de Laughter in Summer não está no repertório, mas na escolha do formato. Para a realização do trabalho, Beverly e Elizabeth decidiram investir em um álbum gravado ao vivo, com a seleção final do disco composta apenas de músicas registradas logo no primeiro take. Embora arriscada, a decisão concede ao material um acabamento único, evidenciando a potência da obra de Glenn-Copeland.
Parte desse resultado vem da escolha da dupla em colaborar com o músico Alex Samaras, responsável pelo coro de vozes que acompanham Beverly e Elizabeth ao longo do material, além do produtor Howard Bilerman. O resultado desse processo está na entrega de uma obra que usa do reducionismo na execução dos arranjos para destacar a força dos sentimentos expressos nos versos de cada composição do registro.
Mesmo velhas conhecidas, como Let Us Dance e Harbour, ganham outro significado quando observadas como parte do álbum. São composições que ganham forma aos poucos, sem pressa, destacando a habitual vulnerabilidade poética de Glenn-Copeland. A própria faixa-título, com suas imagens naturais e momentos de intimidade compartilhada, funciona como uma síntese delicada desse lirismo sensível que move o disco.
Ainda que pouco acrescente em termos de novidade, revisitando composições conhecidas e apostando em uma estrutura contida, Laughter in Summer encontra força na própria sobriedade. Glenn-Copeland não pretende romper com o passado, mas reafirmá-lo com delicadeza e franqueza, transformando cada nova interpretação em gesto de permanência. É um trabalho seguro em suas escolhas, porém profundamente tocante na maneira como encara o tempo, a força da memória e o amor sem recorrer a possíveis excessos.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.