Ano: 2026
Selo: Everlasting Spew
Gênero: Rock, Death Metal
Para quem gosta de: Krypts e Mortiferum
Ouça: Servo e Cremation of a Seraph
Ano: 2026
Selo: Everlasting Spew
Gênero: Rock, Death Metal
Para quem gosta de: Krypts e Mortiferum
Ouça: Servo e Cremation of a Seraph
O corpo monstruoso e decomposto que ilustra a imagem de capa de Advent of Wounds (2026, Everlasting Spew), novo álbum do Fossilization, diz muito sobre a atmosfera que marca o segundo registro do projeto paulistano. Sequência ao material entregue em Leprous Daylight (2023), o trabalho de sete faixas consegue ser ainda mais intenso, opressivo e violento do que o disco anterior, levando a banda para outras direções.
Parte desse processo vem da própria mudança de dinâmica da banda em estúdio. Com a saída do baterista Paulo Pinheiro, o vocalista, guitarrista e produtor Thiago Oliveira, o V, decidiu testar novas abordagens em estúdio, mergulhando em um repertório tão brutal quanto melancólico. O resultado desse intenso processo está na entrega de um material que escancara a potência e a completa crueza que orienta o Fossilization.
Ainda que V cite projetos como Anathema, Paradise Lost e Katatonia como inspirações para a execução do registro, o caminho percorrido pela banda em Advent of Wounds é outro. Agora acompanhado pela bateria de F e as guitarras de Z, com quem divide a produção do material, o artista investe na entrega de um álbum cada vez mais denso, claustrofóbico e homogêneo, com cada nova faixa amarrada à composição seguinte.
Se, por um lado, essa abordagem destaca algumas repetições estruturais e semelhanças entre as canções, por outro, é simplesmente impossível escapar de Advent of Wounds. Do momento em que tem início, em Cremation of a Seraph, camadas de guitarras e batidas espancadas empurram o ouvinte em direção à faixa seguinte. É somente com a chegada da intensa Temple of Flies and Moss que somos autorizados a respirar.
Embora parta de uma proposta uniforme, com faixas que soam como fragmentos de uma extensa canção, Advent of Wounds tem seus evidentes destaques. Em Servo, são as guitarras melódicas que contrastam com a atmosfera opressiva. Já em Disentombed And Reassembled By The Ages, são as variações de tempo que arremessam o ouvinte de um canto para o outro, como uma síntese involuntária da brutalidade do registro.
Mesmo os versos, submersos em meio a camadas de guitarras e vozes guturais, evidenciam uma crueza poucas vezes antes percebida na obra do Fossilization. São letras que tratam sobre a corrosão de antigos ideais, dor, corrupção espiritual e a decadência humana como uma extensão da musicalidade opressiva do disco. É como se forma e conteúdo se fundissem em um ritual de asfixia sonora do qual não há escapatória.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.