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Crítica

Jill Scott

: "To Whom This May Concern"

Ano: 2026

Selo: Human Re Sources

Gênero: Neo-Soul, R&B

Para quem gosta de: Erykah Badu e D'Angelo

Ouça: Norf Side e Beautiful People

8.0
8.0

Jill Scott: “To Whom This May Concern”

Ano: 2026

Selo: Human Re Sources

Gênero: Neo-Soul, R&B

Para quem gosta de: Erykah Badu e D'Angelo

Ouça: Norf Side e Beautiful People

/ Por: Cleber Facchi 27/02/2026

Ainda que Jill Scott tenha passado os últimos dez anos sem revelar um novo álbum de inéditas, é possível perceber traços da obra da cantora no trabalho de diferentes artistas. De Jazmine Sullivan à Yaya Bey, de Solange à Keiyaa, sobram nomes importantes que encontraram no fino repertório da norte-americana um estímulo natural para a composição dos próprios registros e consequente perpetuação do legado de Scott.

Interessante perceber em To Whom This May Concern (2026, Human Re Sources), primeiro álbum de Scott desde Woman (2015), uma obra que celebra a rica musicalidade da cantora e, ao mesmo tempo, se conecta com essa geração de novos artistas influenciados pela norte-americana. Um misto de reverência e delicada reinvenção criativa que embala a experiência do ouvinte até os momentos finais do disco, em Sincerely Do.

Exemplo disso fica bastante evidente em Norf Side, colaboração com Tierra Whack que atualiza o estilo de produção de Scott sem necessariamente corromper a essência da artista. Já em BPOTY, acompanhada pelo veterano Too $hort, um dos pioneiros do rap da Costa Oeste dos Estados Unidos, a cantora viaja em direção ao passado, fazendo da base funkeada da composição uma homenagem nada discreta às origens do estilo.

Essa pluralidade de ideias, presente durante toda a execução do trabalho, é tanto uma virtude quanto uma fraqueza do registro. Por mais fascinante que seja ouvir Scott se jogando nas pistas em músicas como Right Here Right Now, a brusca mudança de estilo durante toda a execução do material torna a audição da obra confusa. É como se a cantora tentasse recuperar o tempo perdido e as tendências entre um álbum e outro.

De maneira involuntária, como resposta a esses excessos, Scott mantém firme a consistência dos versos. Como indicado durante o lançamento de Beautiful People, a cantora investe em canções que tratam sobre redenção e autoafirmação, mas sem apelo à validação pública. Um misto de baladas contemplativas com músicas afiadas e bem-humoradas, respondendo a críticas e abordando diferentes experiências pessoais.

Dessa forma, é difícil não pensar em To Whom This May Concern como um exercício de reapresentação de Scott. Canções que, mesmo capazes de dialogar com os essenciais Who Is Jill Scott?: Words and Sounds Vol. 1 (2000) e Beautifully Human: Words and Sounds Vol. 2 (2004), sobrevivem por conta própria. Mais do que um retorno, é a confirmação de uma artista que, mesmo em silêncio, jamais deixou de ser referência.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.