Ano: 2026
Selo: 10k
Gênero: Rap
Para quem gosta de: MIKE e Earl Sweatshirt
Ouça: Alena(ኣለና)Paradise Lost e Martyr Most High
Ano: 2026
Selo: 10k
Gênero: Rap
Para quem gosta de: MIKE e Earl Sweatshirt
Ouça: Alena(ኣለና)Paradise Lost e Martyr Most High
Nascido na região de Tigré, na Etiópia, e criado na Costa Leste dos Estados Unidos, HaileMariam Kassa, o Sideshow, fez justamente dessa experiência global o estímulo para a própria obra. Depois de uma série de trabalhos que se aprofundam em temas como pobreza, conflitos armados, violência e repressão, o artista que hoje reside em Los Angeles retorna com um de seus discos mais ambiciosos, Tigray Funk (2026, 10K).
Com 32 canções, todas bastante curtas, o trabalho destaca a capacidade do artista em elaborar narrativas complexas em um curto intervalo de tempo. São canções que vão da guerra entre Israel e Palestina, tratam sobre o consumo excessivo de drogas e mergulham em conflitos pessoais sem necessariamente fazer disso o estímulo para um álbum desequilibrado. É como se Sideshow tivesse pleno domínio da própria criação.
Parte desse resultado vem do esforço de Sideshow em manter tudo dentro de um mesmo universo criativo. Com produção assinada por nomes como Alexander Spit e Tony Seltzer, o registro parece habitar o mesmo território de artistas como MIKE e Earl Sweatshirt, destacando o uso fragmentado das batidas e bases que partilham de um acabamento etéreo, incorporando componentes que vão do jazz ao soul de maneira sutil.
O próprio Sweatshirt, utilizando a identidade de randomblackdude, contribui com a produção do registro, reforçando a consistência do material e a direção explorada por Sideshow em estúdio. Não se trata de algo exatamente novo, afinal, muitos dos elementos incorporados em Tigray Funk foram previamente testados pelo rapper em F.U.N. T.O.Y. (2024), fazendo do presente disco uma extensão madura do trabalho anterior.
Embora parta de uma estrutura bastante consistente, como se todas as composições partilhassem de uma mesma ambientação, Tigray Funk tem seus destaques. É o caso de Alena(ኣለና)Paradise Lost, faixa em que celebra as próprias conquistas sem jamais perder a sobriedade. Já em Martyr Most High, são versos que fluem como um fluxo de consciência, refletindo sobre violência e ambição de forma sempre provocativa.
Completo pela participação de artistas como Kelow Latesha, El Costeau e Niontay, Tigray Funk é tanto um exercício particular de Sideshow quanto uma obra colaborativa. Da produção à construção dos versos, há sempre um parceiro criativo que contribui para o desenvolvimento da obra, levando o som do rapper para outras direções. O resultado é um álbum que expande a própria linguagem e o controle criativo do artista.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.