Ano: 2026
Selo: +Um Hits
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Bella e o Olmo da Bruxa
Ouça: A Vida de Messi, Seja Gentil e Agito e Propaganda
Ano: 2026
Selo: +Um Hits
Gênero: Rock
Para quem gosta de: Bella e o Olmo da Bruxa
Ouça: A Vida de Messi, Seja Gentil e Agito e Propaganda
O que quer que os integrantes do Chococorn And The Sugarcanes tenham apontado em Siamês (2024) cai por terra em Todos Os Cães Merecem o Céu (2026, +Um Hits). Segundo e mais recente trabalho de estúdio da banda formada por Alexandre Luz (bateria e voz), Pipe Bacchin (guitarra e voz), Pietro Sartori (baixo e voz) e Pedro Guerreiro (guitarra e voz), o registro deixa de lado o diálogo com a música emo convencional para destacar o caráter exploratório e a capacidade do grupo em testar criativamente os próprios limites.
Inaugurado em meio a fragmentos de pianos, batidas e guitarras melódicas, o disco diz a que veio logo nos momentos iniciais, em Língua dos Cachorros. São pouco mais de dois minutos em que o grupo original de Santa Bárbara D’Oeste, no interior de São Paulo, preserva a essência do registro anterior, porém se permite explorar novos caminhos em estúdio, proposta que vai da colisão de estilos ao criativo diálogo com o pop.
Em geral, são canções imediatas, radiofônicas e capazes de grudar na cabeça do ouvinte logo na primeira audição. “Se você voar distante, eu vou correndo encontrar”, martela a letra de Palavra de Amigo, música inescapável que substitui as angústias do disco anterior por uma celebração à amizade. E ela não é a única. A cada esquina, Todos Os Cães Merecem o Céu surpreende com uma nova composição que escancara o domínio melódico, a entrega e o lirismo honesto do quarteto que convence o ouvinte sem grandes esforços.
Ainda que essa mudança de tom resulte em canções exageradamente efusivas e deslocadas, como 30 Dias de Carnaval, prevalece em Todos Os Cães Merecem o Céu o equilíbrio. A própria banda jamais se distancia por completo da dramaticidade explícita no registro anterior. Pelo contrário: eles a aprimoram. Difícil não ser totalmente arrastado pelo turbilhão emocional de composições como Esperança, Ambição e Seja Gentil.
Sobrevive justamente nessa combinação de elementos do registro anterior e a ruptura estética proposta no presente álbum a passagem para algumas das melhores músicas do trabalho. Em Agito e Propaganda, por exemplo, é a base radiante, flertando com o ska, que esbarra nos versos marcados pelo acúmulo caótico de pequenas contradições do cotidiano. Já em A Vida de Messi, com poética madura e metalinguística, acenos para o hardcore melódico e o uso de uma linha de baixo suculenta trazem de volta a essência de Siamês.
Esse equilíbrio de forças reflete o comprometimento do grupo durante toda a execução do disco. O próprio uso de elementos que concedem ao trabalho um caráter cíclico, como os pianos que inauguram e finalizam a obra, reforça isso. É como um exercício de amadurecimento instrumental, lírico e estrutural, mas que em nenhum momento compromete o frescor e a capacidade da banda em convencer pela força das emoções.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.