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Crítica

Yaya Bay

: "Fidelity"

Ano: 2026

Selo: Drink Sum Wtr

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Liv.e, KeyiaA e L'Rain

Ouça: Forty Days, Blue e Egyptian Musk

7.9
7.9

Yaya Bey: “Fidelity”

Ano: 2026

Selo: Drink Sum Wtr

Gênero: R&B

Para quem gosta de: Liv.e, KeyiaA e L'Rain

Ouça: Forty Days, Blue e Egyptian Musk

/ Por: Cleber Facchi 18/05/2026

Terceiro disco de inéditas de Yaya Bey em um intervalo de três anos, Fidelity (2026, Drink Sum Wtr) mostra que a artista norte-americana está longe de se repetir criativamente. Após atravessar os confessionais Ten Fold (2024) e Do It Afraid (2025), a cantora e compositora do Queens retorna com um álbum que preserva a essência dos registros anteriores sem necessariamente deixar de incorporar novos elementos em estúdio.

Parte desse resultado vem do andamento rítmico dado ao material. Diferente dos dois últimos trabalhos de estúdio, em que se aprofundava na relação com o R&B e o rap de maneira tradicional, por vezes nostálgica, Bey se concentra agora em ampliar os próprios horizontes. São composições que passeiam por diferentes estilos, ritmos e possibilidades sem jamais perder o controle ou corromper a identidade criativa da cantora.

Em The Great Migration, por exemplo, perceba como a cantora transita entre o jazz e o drum and bass com elegância. Já em Higher, o neo-soul se projeta de forma quase psicodélica, levando o trabalho para outras direções. Surgem ainda preciosidades como Egyptian Musk, composição em que se aventura pelo reggae de maneira sempre autoral, abrindo passagem para a breve colaboração com o artista jamaicano Nesta.

Sobrevive justamente nesse diálogo com novos parceiros criativos outro elemento bastante característico de Fidelity. Logo no começo do álbum, em Me and Mine, Bey abre passagem para as vozes de Samantha G. e Anastasia Antoinette, indicando esse aspecto colaborativo do disco. Surgem ainda nomes como o cantor Deem Spencer, em Slot Machines, e Exaktly, em Simp Daddy Line Dance, ampliando os limites do trabalho.

Embora repleto de participações especiais, prevalece nas canções assumidas unicamente pela cantora a passagem para alguns dos melhores momentos do disco. É o caso de Forty Days, faixa que destaca o R&B inebriante da artista e ainda dialoga com a obra de veteranas como Sade. Já em Blue, é a sutil mudança de ritmo e o minimalismo que chamam a atenção, revelando a capacidade de Bey em fazer muito com pouco.

Essa abrangência de estilos e o esforço em explorar novos caminhos serve tanto como alavanca criativa quanto um elemento de desestabilização do álbum. Assim como no disco anterior, Bey tende aos excessos, revelando faixas como The Breakdown e Freeze Flight Fawn que acabam se perdendo pelo trabalho. Um exercício revigorante e repleto de boas canções, ainda que pontuado por momentos de maior fragilidade.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.