Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Eletrônica, Funk
Para quem gosta de: Katy Da Voz e As Abusadas
Ouça: Corpo Vazio, Dipiroca e Vita's House
Ano: 2026
Selo: Independente
Gênero: Eletrônica, Funk
Para quem gosta de: Katy Da Voz e As Abusadas
Ouça: Corpo Vazio, Dipiroca e Vita's House
Por mais clichê que possa parecer, a justificativa de que diferenças criativas levaram ao fim das atividades do Irmãs de Pau fica bastante evidente ao mergulhar no repertório de Vita’s House (2026, Independente). Estreia em carreira solo de Vita Pereira, o disco segue uma abordagem completamente distinta em relação ao que a ex-companheira de grupo testou em estúdio com a entrega do introdutório Made In Cohab (2026).
Marcado pelo caráter exploratório, Vita’s House escancara as potencialidades da cantora em estúdio. São canções que preservam o lirismo erótico e o habitual bom humor explícito nas criações do Irmãs de Pau, porém, partindo de um novo direcionamento estético, proposta que passa pela cultura de ballroom, mas em nenhum momento interfere na já conhecida relação da artista com o funk, o pop e a música eletrônica.
Exemplo disso pode ser percebido em toda a sequência que inaugura do disco. Sempre aberta ao criativo diálogo com diferentes parceiros em estúdio, Vita encontra em nomes como André Miquelotti, Badsista e Taj Ma House as bases para uma combinação de faixas que soam com um convite inescapável a se perder nas pistas de dança. Canções como Corpo Vazio e Sex On The Floor que grudam logo na primeira audição.
Entretanto, é quando mais se distancia desse resultado que Vita garante ao público algumas das melhores canções do disco. Em Dipiroca, por exemplo, é a ambientação latina e o diálogo com nomes como Duhduh Pereira, DJ Cozy e Wboy que chamam a atenção. Já na faixa-título do álbum, com Brunoso e MC Britney, é o misto de funk mandelão e house distorcido que orienta o trabalho da artista, ampliando os limites da obra.
Se, por um lado, esse esforço em incorporar novas possibilidades escancara a versatilidade de Vita, por outro, garante ao público um registro inchado, apontando para diferentes direções sem uma linha criativa. A própria distribuição das faixas, com preciosidades como Ainda Há Vera Verão, com Linn da Quebrada, e Treme Língua, parceria com Candy Mel, reservadas aos minutos finais, torna a audição do disco confusa.
Apesar dessas inconsistências e do volume excessivo de canções, Vita’s House encanta pela forma como a artista se permite experimentar em estúdio, criando conexões com diferentes colaboradores. São nomes como MC Morena, DJ Caio Prince, D.Silvestre, Urias e CyberKills que não apenas deixam suas marcas pelo interior do registro, como elevam criativamente o trabalho da artista durante toda a execução do material.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.