Ano: 2026
Selo: Polyvinyl
Gênero: Rock, Pós-Rock
Para quem gosta de: Owen e Toe
Ouça: Bad Moons, Patron Saint of Pale e No Feeling
Ano: 2026
Selo: Polyvinyl
Gênero: Rock, Pós-Rock
Para quem gosta de: Owen e Toe
Ouça: Bad Moons, Patron Saint of Pale e No Feeling
Desde que retomaram suas atividades, no meio da década passada, os integrantes do American Football têm investido na construção de um repertório cada vez mais amplo e exploratório. Outrora uma das bases do movimento emo, o grupo formado pelos irmãos Mike e Nate Kinsella, Steve Holmes e Steve Lamos trilha um caminho cada vez mais atmosférico, direcionamento reforçado no quarto álbum de estúdio da carreira.
Primeiro disco de inéditas da banda em sete anos, o sucessor do homônimo álbum de 2019 segue de onde o grupo de Illinois parou no registro anterior, porém incorpora uma abordagem ainda mais labiríntica. Do uso quase transcendental das guitarras, esbarrando no pós-rock, à sempre calculada inserção das batidas e vozes, cada mínimo fragmento da obra avança em uma medida particular de tempo, cercando o ouvinte.
Não por acaso, quando o quarteto anunciou a chegada do trabalho, em fevereiro deste ano, Bad Moons foi a canção escolhida para inaugurar essa nova fase. Com mais de oito minutos de duração, a faixa dividida em duas metades detalha a lenta sobreposição dos elementos, como a passagem para um universo particular da banda. São pinceladas instrumentais e poéticas que surgem e desaparecem a todo instante, sem pressa.
Ainda que essa morosidade intencional revele algumas das fragilidades do trabalho, como as estruturas de guitarras bastante similares e as limitações no canto declamado de Mike, sobrevive nessa aparente leveza o alicerce para os momentos de maior intensidade da obra. É o caso de Patron Saint of Pale, faixa que transita entre o jazz e o pop, destacando o acréscimo necessário das vozes femininas, palmas e distorções pontuais.
São justamente esses sutis atravessamentos de informações que concedem beleza e identidade ao registro. Em No Feeling, por exemplo, são as vozes complementares de Brendan Yates, do Turnstile. Já em Blood On My Blood, o quarteto não apenas abre passagem para a voz de Caithlin De Marrais, do grupo Rainer Maria, como sustenta na guitarra timbrística um inusitado diálogo com o jangle pop e a produção dos anos 1980.
Esse mesmo olhar para o passado volta a se repetir em outros momentos do disco, como em Wake Her Up, parceria com Wisp, mas que evoca a musicalidade de projetos como The Cure. A própria No Soul To Save, no fechamento do trabalho, chama a atenção pelas harmonias de vozes negras que passeiam ao fundo da canção, proposta que amplia os horizontes de possibilidades sem jamais corromper a identidade do grupo.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.