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Crítica

Ana Roxanne

: "Poem 1"

Ano: 2026

Selo: Kranky

Gênero: Art Pop, Música Ambiente

Para quem gosta de: Grouper e Julianna Barwick

Ouça: Keepsake, Cover Me e Untitled II

8.0
8.0

Ana Roxanne: “Poem 1”

Ano: 2026

Selo: Kranky

Gênero: Art Pop, Música Ambiente

Para quem gosta de: Grouper e Julianna Barwick

Ouça: Keepsake, Cover Me e Untitled II

/ Por: Cleber Facchi 28/05/2026

Distante dos sintetizadores cintilantes que marcam o repertório de ~~~ (2019), ou mesmo os momentos de maior experimentação em Because of a Flower (2020), Ana Roxanne segue uma abordagem bastante crua em Poem 1 (2026, Kranky). Com os pianos e vozes em primeiro plano, a artista californiana deixa de lado as ambientações exploradas nos álbuns anteriores para investir em um trabalho emocionalmente expositivo.

A própria escolha de The Age of Innocence como composição de abertura torna isso explícito. Enquanto os versos contrastam o sonho de uma nova vida com a queda e o soterramento emocional, arranjos marcados pelo minimalismo dos elementos concedem maior destaque aos vocais derramados pela artista. É como se Roxanne, pela primeira vez em mais de uma década de carreira, se revelasse por completo para o ouvinte.

Embora consumido pela vulnerabilidade dos versos, o registro jamais tende ao exagero. Mesmo quando se entrega à saudade, como em Keepsake, Roxanne mantém firme o controle da própria criação, detalhando sentimentos de maneira discreta. “Eu nunca poderei te alcançar / Manterei assim / A memória basta / Para passar o dia”, confessa a artista em um dos momentos de maior beleza e evidente fragilidade do trabalho.

Tamanha delicadeza no processo de composição do material faz de Poem 1 o registro mais acessível, ainda que não óbvio, de Roxanne. Difícil passar por músicas como Cover Me e não ser envolvido pela fragilidade emocional da musicista. São versos sempre intimistas e tocantes, estrutura que se completa pelos espaços deixados pela artista, como lacunas sentimentais a serem preenchidas pelas emoções do próprio ouvinte.

Exemplo disso fica bastante evidente na contemplativa Untitled II. São pouco mais de seis minutos em que pianos e batidas calculadas ganham forma em uma medida própria de tempo, lembrando as criações de artistas como Grouper. Mesmo faixas puramente instrumentais, como X, e One Shall Sleep, com seus versos declamados, parecem desenvolvidas para dialogar com o ouvinte, destacando a sensibilidade de Roxanne.

Dividido entre momentos de sutil experimentação e canções marcadas pela delicadeza dos versos, Poem 1 acaba se revelando como o registro mais equilibrado de Roxanne. Ainda que muitos dos elementos e temas instrumentais do disco pareçam reinterpretações orgânicas dos álbuns anteriores, a sensação de entrega e o permanente diálogo com o ouvinte tornam o processo de audição do trabalho uma experiência única.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.