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Crítica

Ítallo

: "Catatau"

Ano: 2026

Selo: Esfera / Loco Records

Gênero: MPB

Para quem gosta de: Bruno Berle e Tori

Ouça: Tire Uma Hora Pra Lembrar De Mim e Janeiro

8.0
8.0

Ítallo: “Catatau”

Ano: 2026

Selo: Esfera / Loco Records

Gênero: MPB

Para quem gosta de: Bruno Berle e Tori

Ouça: Tire Uma Hora Pra Lembrar De Mim e Janeiro

/ Por: Cleber Facchi 27/05/2026

Quarto e mais recente álbum de estúdio de Ítallo França, Catatau (2026, Esfera / Loco Records) é uma obra que trata sobre atravessar a cidade e ser atravessado por ela. Livre da atmosfera contemplativa que marca o repertório do registro anterior, Tarde no Walkiria (2023), França, em conjunto com o coprodutor e músico Paulo Novaes, se articula na entrega de um trabalho marcado pelo aspecto exploratório e pela inquietação.

A voz que antes entoava canções de amor e versos marcados pela fragilidade emocional, agora se aventura em meio a paisagens urbanas e experiências consumidas pelo caos diário. Exemplo disso fica evidente em Pelé Dotô, samba inspirado em um vendedor de picolé da infância do artista. Entre versos descritivos que evocam Chico Buarque e Rodrigo Campos, Ítallo oferece ao público uma composição marcada pelo ritmo e os contrastes sociais que reforçam o caráter político do repertório montado pelo músico ao longo do disco.

Mesmo quando se volta para memórias da infância, há sempre um componente de tensão social que rompe com a aparente leveza e fino acabamento instrumental do trabalho. É o caso de Nina do Avon. Inaugurada por um trecho do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua posse em 2002, a canção passeia em meio a recordações da própria mãe, rupturas políticas e fatos aleatórios do Brasil no início do novo século.

Claro que esse acentuado caráter político do disco não interfere na entrega de faixas marcadas pela força dos sentimentos. Em Tire Uma Hora Pra Lembrar De Mim, por exemplo, Ítallo canta sobre a manutenção do amor em um delicado exercício de fragilidade emocional. Já em composições como Dorinana, é o desejo que fala mais alto. “Pois toda boca é a metade / De um beijo, vontade / De querer demais”, canta o alagoano.

Entretanto, assim como no trabalho anterior, o grande charme de Catatau reside na maneira como o artista transforma cenas simples do cotidiano em matéria-prima para músicas preciosas. Do afeto pela sobrinha, em Alô Alô, Lolô, às observações quase metalinguísticas sobre a escrita, em Janeiro, colaboração com Tori, sobram momentos em que o cantor encontra beleza no banal, surpreendendo o ouvinte a cada novo verso.

Ainda que pouco transgressor do ponto de vista instrumental e repleto de acenos para a obra de veteranos como João Donato, principalmente na aplicação dos teclados, Catatau é um desses álbuns que convencem sem dificuldades. Atravessado por nomes como Domenico Lancellotti, Marina Nemésio e Zé Ibarra, o disco aponta para diferentes direções, mas sem perder o controle, destacando sempre a força da poesia de Ítallo.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.