Ano: 2026
Selo: Amor in Sound / Black Service
Gênero: Jazz, MPB
Para quem gosta de: Marisa Monte e Milton Nascimento
Ouça: Caboclo, Vento de Maio e Quando Chego
Ano: 2026
Selo: Amor in Sound / Black Service
Gênero: Jazz, MPB
Para quem gosta de: Marisa Monte e Milton Nascimento
Ouça: Caboclo, Vento de Maio e Quando Chego
No fim dos anos 2000, quando ainda colhia os frutos do bem-sucedido América Brasil (2007), trabalho que revelou sucessos como Burguesinha e Mina do Condomínio, Seu Jorge decidiu investir em uma abordagem diferente. Longe da euforia do samba-rock que vinha testando desde os tempos na banda Farofa Carioca, o músico, em parceria com o produtor Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Marcelo D2), começou a desacelerar.
O que o artista não poderia prever é que essa ausência de pressa faria com que o disco levasse anos até ser revelado ao público. Além da produção compassada, que contou com arranjos assinados por Miguel Atwood-Ferguson, o trabalho, previsto para o fim da década passada, teve seu lançamento postergado por conta do avanço da pandemia de Covid-19. O músico ainda engatou em outro projeto, o ainda recente Baile à la Baiana (2025), entregando The Other Side somente agora, mais de 15 anos após o início das gravações.
E a espera valeu a pena. Ainda que a voz do artista pareça oscilar, revelando sinais claros da passagem do tempo ao longo do processo de produção da obra, o capricho na construção dos arranjos e na escolha do repertório surpreende a todo momento. Descrito pelo cantor como uma obra de intérprete, The Other Side não apenas evidencia esse “outro lado” do músico fluminense, como escancara a imponência de Seu Jorge.
Com Crença, de Milton Nascimento e Márcio Borges, como música de abertura, o artista apresenta todos os elementos que serão explorados ao longo do disco. Da força da voz, passando pelos arranjos de cordas de Atwood-Ferguson à atmosfera que dialoga com o estilo de produção dos anos 1960 e 1970, tudo salta aos ouvidos. Os momentos de maior fragilidade do álbum acabam se revelando justamente nas canções mais reducionistas do disco, como River Man, ao lado do californiano Beck. Entretanto, o “defeito” aqui não está na queda de qualidade do material, mas na superioridade explícita nas composições de vívida grandeza.
Em Vento de Maio, por exemplo, é a delicadeza na elaboração dos arranjos e os respiros que antecedem a chegada das vozes imponentes de Seu Jorge em contraste com a suavidade de Maria Rita. Já em Quando Chego, junto de Marisa Monte, são os elementos percussivos que invadem o samba marcado pela maciez dos vocais e gradativa inserção dos instrumentos. Nada que prepara o ouvinte para a chegada de Caboclo.
Nunca antes regravada, a canção que inaugura o cultuado disco de estreia de Arthur Verocai não apenas rivaliza em beleza com a versão original, como transcende. Entre batidas calculadas, arranjos de cordas e guitarras psicodélicas, Seu Jorge projeta a própria voz com uma grandeza e entrega nunca antes percebida em seus outros trabalhos. É como um triunfo do tempo em seus mais variados aspectos, conceito que vai do longo período de produção ao domínio criativo acumulado pelo artista em quase três décadas de carreira.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.