Ano: 2026
Selo: DH2
Gênero: Eletrônica
Para quem gosta de: The Knife e Fever Ray
Ouça: Acuyuye, Blood Lily e Echoed Dafnino
Ano: 2026
Selo: DH2
Gênero: Eletrônica
Para quem gosta de: The Knife e Fever Ray
Ouça: Acuyuye, Blood Lily e Echoed Dafnino
Diferente da irmã, Karin Dreijer, artista conhecida pela obra como Fever Ray, Olof Dreijer decidiu seguir em uma medida bastante particular de tempo após o fim das atividades da dupla The Knife. Com exceção de Souvenir (2023), disco assinado em parceria com o norte-americano Mt. Sims, todos os outros registros do produtor foram criações menores, sempre espaçadas, reforçando o caráter exploratório do músico sueco.
Não por acaso, ao investir no primeiro trabalho em carreira solo, Loud Bloom (2026, DH2), Dreijer decidiu resgatar parte desse material e organizar tudo dentro de um único álbum. O resultado desse processo está na entrega de um repertório que naturalmente peca pela parcial ausência de novidade, porém fascina pela maneira como o produtor mapeia seus processos e as relações profissionais construídas ao longo dos anos.
Originalmente lançada há três anos, Rosa Rugosa funciona como um bom exemplo disso. Posicionada logo na abertura do trabalho, a composição preserva parte da essência e dos sempre característicos timbres de Dreijer no The Knife, porém destaca os estudos rítmicos propostos pelo produtor. Essa mesma abordagem acaba se refletindo na velha conhecida Coral, música de oito minutos que avança aos poucos, sem pressa.
Entretanto, quanto mais se distancia desse universo e referências prévias, mais Dreijer garante ao público algumas das melhores faixas do disco. Em Acuyuye, por exemplo, é a musicalidade latina e o diálogo com a percussionista colombiana Diva Cruz que chamam a atenção do ouvinte. Já em Echoed Dafnino, o produtor incorpora as repetições típicas do footwork enquanto abre passagem para a chegada do sudanês MaMan.
Mesmo quando se articula de maneira solitária, o produtor reserva ao público uma série de canções em que rompe com velhas estruturas. É o caso de Blood Lily. Enquanto parte da faixa avança em direção ao techno, aproximando o sueco das pistas, o uso de elementos percussivos sinaliza o interesse de Dreijer pela música brasileira. O próprio artista passou um tempo vivendo no Brasil durante a produção do trabalho.
Apesar do profundo interesse de Dreijer em ampliar horizontes, o volume excessivo de canções e a longa duração do material escancara algumas repetições estruturais, principalmente no uso dos sintetizadores. Mesmo a voz, um dos principais elementos de variabilidade do disco, surge de forma limitada, fazendo da batida um componente central, mas que em muitas vezes se arrasta e exaure antes de convencer o ouvinte.
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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.
Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.