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Crítica

Kevin Morby

: "Little Wide Open"

Ano: 2026

Selo: Dead Oceans

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Kurt Vile e Waxahatchee

Ouça: Die Young, Natural Disaster e 100,000

8.0
8.0

Kevin Morby: “Little Wide Open”

Ano: 2026

Selo: Dead Oceans

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Kurt Vile e Waxahatchee

Ouça: Die Young, Natural Disaster e 100,000

/ Por: Cleber Facchi 09/06/2026

Em atuação desde o início da década passada, quando integrou projetos como The Babies e Woods, Kevin Morby mantém firme a boa forma Little Wide Open (2026, Dead Oceans). Sequência ao material entregue em More Photographs (A Continuum) (2023), o registro destaca o amadurecimento poético do artista que continua a lidar com temas recorrentes como mortalidade, ansiedade e o medo do fim de forma delicada.

A principal diferença em relação aos últimos discos do norte-americano, como Sundowner (2020) e This Is a Photograph (2022), está no maior refinamento dos arranjos e na produção do material. Acompanhado de Aaron Dessner, também responsável por boa parte dos instrumentos ao longo do álbum, Morby garante ao público uma obra que fascina pelos detalhes e o sempre meticuloso acréscimo de cada fragmento de voz.

Exemplo disso fica bastante evidente em Javelin. Escolhida por Morby para anunciar a chegada do disco, a canção faz de cada mínimo componente um objeto de destaque. Da percussão discreta de Dessner ao uso complementar das vozes de Amelia Meath, perceba como cada elemento surge e desaparece ao longo da faixa de forma bastante sensível, potencializando o canto declamado que marca a obra do norte-americano.

E ela está longe de ser a única canção a surpreender pelo capricho de Morby e seus parceiros. Em 100,000, por exemplo, são as guitarras destacadas que orientam a experiência do ouvinte durante toda a execução da música. Já em Badlands, logo na abertura do trabalho, são as vozes adicionais de Meath e Justin Vernon que enriquecem a faixa, preparando o terreno e apontando a direção para o restante de Little Wide Open.

Claro que essa maior sofisticação não interfere na produção de canções menos rebuscadas e, ainda assim, impactantes. É o caso de Natural Disaster. Com pouco mais de sete minutos de duração, a composição que evoca The Velvet Underground na combinação das guitarras e vozes ainda se abre para a participação da cantora Lucinda Williams. Não se trata de nada transgressor, porém fundamental para o equilíbrio da obra.

Dessa forma, mesmo ancorado em temas há muito explorados pelo artista em estúdio, há sempre um sutil elemento de ruptura ou de refinamento estético que leva o repertório do trabalho para outras direções. Do lirismo existencialista de Die Young, passando pela vulnerabilidade emocional da faixa-título, Morby habita um universo criativo bastante particular e reconhecível, ainda que totalmente livre de possíveis repetições.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.