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Crítica

Cidade Dormitório

: "Cinema Bélico?"

Ano: 2026

Selo: Matraca Records / YB Music

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Boogarins e Carabobina

Ouça: Barco Amnésia, Como Assim? e Morcega

7.8
7.8

Cidade Dormitório: “Cinema Bélico?”

Ano: 2026

Selo: Matraca Records / YB Music

Gênero: Rock

Para quem gosta de: Boogarins e Carabobina

Ouça: Barco Amnésia, Como Assim? e Morcega

/ Por: Cleber Facchi 04/06/2026

Na era da sociedade do espetáculo e da hiperconectividade, os integrantes do quarteto sergipano Cidade Dormitório questionam a força do audiovisual em Cinema Bélico? (2026, Matraca Records / YB Music). Do momento em que tem início, em Barco Amnésia, até alcançar a derradeira Do Compositor, cada fragmento do trabalho ganha forma em meio a cenas de decadência urbana, tormentos existenciais e conflitos morais.

Transtornar, consumir, corroer”, canta o vocalista Yves Deluc em Já Era, Mano, música que sintetiza a força poética e visual que rege o trabalho. São versos sempre descritivos, por vezes cinematográficos, que vão de situações de violência urbana ao vazio cultural estimulado pelas redes sociais. “Com juros, sem seguro / E cripto, cripto, cripto, cripto, cripto, cripto, criptoarte / Pra você se distrair”, pontua o compositor sergipano.

Embora parta de uma abordagem bastante questionadora, destacando o teor político do material, Cinema Bélico? jamais se distancia do pop. Sempre acompanhado pelos parceiros de banda Fábio Aricawa, lllucas e João Mario, além dos produtores Fernando Rischbieter e Pedro Vinci, Deluc garante ao público uma obra que gruda mesmo sem querer. Composições que equilibram tensão com momentos de explícita suavidade.

Das harmonias de vozes que inauguram o trabalho, passando pela psicodelia das guitarras e melodias que atualizam o rock empoeirado dos anos 1970, tudo salta aos ouvidos. Mesmo a relação com outros artistas se dá de maneira harmônica. São nomes como Carabobina, YMA e Grisa, na já conhecida Trailers do Futuro, que evidenciam a consistência da banda mesmo nos instantes em que o caráter exploratório fala mais alto.

Claro que, nesse esforço em testar novas possibilidades, algumas decisões levam a canções menos férteis ou talvez deslocadas. É o caso de Bob Dealer, música de natureza cênica que se perde no vale criado entre Avenida Canal 5 e Trailers do Futuro. O mesmo acontece em O Terço e a Bengala, criação que aproxima o grupo do blues, porém livre do mesmo detalhamento e da complexidade explícita no restante do material.

Entretanto, sempre que tropeça, Cinema Bélico? logo oferece uma contraparte que traz o disco de volta aos eixos. A própria escolha do grupo em investir em composições mais curtas, contrastando com os excessos do antecessor Ruína ou O Começo Me Distrai (2022), contribui para esse maior dinamismo e equilíbrio da obra. Um insano jogo de sensações que destaca o experimentalismo da banda, mas nunca foge ao controle.

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Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea, integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música e membro da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, DJ nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.