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Ano: 2026

Selo: Escho

Gênero: Indie, Bedroom Pop

Para quem gosta de: Horse Vision e Chanel Beads

Ouça: Dealerz, YSL e Push & Pull

7.6
7.6

A Good Year: “Play”

Ano: 2026

Selo: Escho

Gênero: Indie, Bedroom Pop

Para quem gosta de: Horse Vision e Chanel Beads

Ouça: Dealerz, YSL e Push & Pull

/ Por: Cleber Facchi 08/06/2026

Inicialmente pensado como um projeto cinematográfico, A Good Year acabou se transformando quando os amigos Albert Hildebrand e Tobias Laust se mudaram para Copenhague, capital da Dinamarca. Inspirados pela movimentada cena local, os dois artistas trocaram as trilhas sonoras por canções, porém preservando o aspecto exploratório, as texturas e ambientações que, em diálogo com o pop, definem a estética da dupla.

Perfeita representação desse resultado pode ser percebida em Play (2026, Escho). Segundo e mais recente trabalho de estúdio da dupla dinamarquesa, o sucessor de Sofina (2024) segue a mesma trilha do registro que o antecede, com suas ambientações e estruturas inexatas, mas vai além. São composições que, mesmo partindo das experiências de Hildebrand e Laust, crescem na força do coletivo e trocas com outros artistas.

Não por acaso, em outubro do último ano, com o lançamento da música YSL, foi em colaboração com os membros da Horse Vision que a dupla dinamarquesa decidiu inaugurar essa nova fase. Marcada pela sutil combinação de elementos acústicos, ambientações e ruídos, a faixa pode até dialogar com o som explorado pelo duo sueco em Another Life (2025), mas sem jamais corromper a identidade melódica do A Good Year.

Esse mesmo aspecto colaborativo acaba orientando a experiência do ouvinte durante toda a execução do trabalho. Em Push & Pull, por exemplo, são as vozes complementares de Helena Gao que engrandecem a canção. Já em Blue Flame, é Tiffi M e a veterana que invadem a faixa. A própria Dealerz, na abertura do disco, conta com o suporte de Quiet Light e Late Verlane, apontando o caminho para o restante do material.

Mesmo quando Hildebrand e Laust assumem inteiramente a elaboração das canções, a criativa colagem de ideias e o constante atravessamento de informações escancara a pluralidade do trabalho. Claro que, nesse esforço em combinar diferente estruturas rítmicas, melodias e vozes, algumas composições no decorrer do registro, como This Is Not Home, parecem mais exercícios criativos do que músicas realmente completas.

Ainda assim, prevalece no forte caráter exploratório e nas pequenas incertezas lançadas por Hildebrand e Laust o grande charme do repertório montado para o disco. Próximo e ao mesmo tempo distante de outros projetos da cena dinamarquesa, como Smerz e ML Buch, A Good Year parece mais interessado em levantar perguntas do que garantir respostas, fazendo dessa inquietação a principal ferramenta criativa da dupla.

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Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.

Jornalista, criador do Música Instantânea e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.